O ex-presidente do PSD Pedro Santana Lopes deixou, nesta noite, elogios à maneira de ser "fria, responsável e determinada" do atual líder social-democrata, a quem assinalou "parecenças" com Sá Carneiro, criticando os ausentes do congresso.

É por termos um líder com esta maneira de ser fria, responsável e determinada - só não concordo com o frio (…) - é exatamente com esta maneira de ser que Pedro Passos Coelho conseguiu aquilo que nenhum líder de países que atravessaram dificuldades semelhantes às nossas conseguiu: foi ele que teve o melhor resultado em eleições legislativas depois de um programa de austeridade extremamente difícil, cometendo uma proeza absolutamente extraordinária", afirmou Pedro Santana Lopes, perante os 750 congressistas laranjas que se reúnem este fim de semana em Espinho.

Apontando umas "parecenças muito curiosas" de Passos Coelho com Sá Carneiro, o agora provedor da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa lamentou a falta de "disponibilidade" de alguns críticos do líder do PSD para se deslocarem ao congresso, referindo-se diretamente a Rui Rio.

Não têm nada que agradecer o estar aqui presente, era o que faltava que aqui não estivesse", vincou, criticando também que disse que "Espinho era muito longe", numa referência implícita a Manuela Ferreira Leite.

Recusando a ideia que Pedro Passos Coelho seja um líder isolado, Santana Lopes censurou a possibilidade de ser feito no interior do PSD aquilo que foi feito no país, no Parlamento, em relação "à pessoa que ganhou as eleições legislativas".

Isso passa pela cabeça de alguém? Ganhou as eleições legislativas e nós censuramos os nossos adversários por terem formado um Governo com quem não ganhou essas eleições. Cá dentro sabemos que ganhou as legislativas, ganhou as eleições internas e dizemos ‘ganhaste, mas estás muito só, por isso agora, ou daqui a dois anos ou três anos, não sabemos se serás o homem indicado", frisou, assegurando que mesmo que tivesse havido uma candidatura adversária, o seu voto teria sempre sido para Pedro Passos Coelho.

Sublinhando ter sido "um gosto" estar no congresso, o antigo líder do PSD terminou com um apelo à calma do partido em relação às autárquicas

"’Keep cool', tenhamos calma, tudo a seu tempo", afirmou.

Homenagem a Cavaco

No seu discurso, Pedro Santana Lopes também homenageou Cavaco Silva, agradecendo os "serviços prestados ao país" pelo antigo Presidente da República em "circunstâncias dificílimas".

Devemos uma palavra de agradecimento a Aníbal Cavaco Silva pelos serviços prestados ao país", disse.

Sublinhando que um dia, "com mais distância e serenidade", se fará o registo dos serviços prestados por Cavaco Silva na chefia do Estado, o agora provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa recordou as "circunstâncias dificílimas" em que o também antigo líder do PSD e ex-primeiro-ministro exercer o seu mandato, primeiro com o Governo socialista de José Sócrates, depois com a crise.

Pedro Santana Lopes fez igualmente referência ao novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também ele antigo líder social-democrata, notando que, com a sua eleição, pela primeira vez na história há um ‘empate' de "2-2" entre chefes de Estado oriundos do PS [Mário Soares e Jorge Sampaio] e do PSD [Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa].

Um dia haverá quem desempatará", disse.