O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes recebeu este sábado palmas dos congressistas do PSD quando defendeu que «há limites» para as divergências internas, referindo o caso de António Capucho e fazendo alusão aos comentários de Pacheco Pereira.

Numa intervenção no XXXV Congresso do PSD, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, Pedro Santana Lopes comparou o que aconteceu no sábado nesta reunião magna a «uma daquelas festas de aniversário surpresa» em que «havia uma série de pessoas que não eram para vir, o aniversariante julgava que não vinham, e de repente começou a aparecer tudo».

«Para mim, terem vindo cá significa uma coisa: reconheceram definitivamente a liderança de Pedro Passos Coelho e o seu papel imprescindível na condução dos destinos do país», afirmou o antigo presidente do PSD, depois de acentuar que, ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, não decidiu vir a este Congresso em cima da hora.

«Quando a família está a passar por momentos muito difíceis - e o PPD/PSD está num momento muito difícil, com a responsabilidade de conduzir uma nau numa grande tormenta, uma grande nau - a nossa obrigação é estarmos presentes», considerou.

No seu discurso, o atual Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa comentou o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter apontado o PSD como um partido que «é bom por ser assim livre», acrescentando: Deixem-me ser igual a mim próprio: eu acho que há limites».

Pedro Santana Lopes referiu-se, em concreto, ao caso de António Capucho, expulso recentemente por ter sido candidato autárquico numa lista adversária do partido, sugerindo que a sua divergência do PSD se deveu ao afastamento das funções de conselheiro de Estado.

«Convivi durante muitos anos com ele, e todos nós. As pessoas quando propõem normas têm de saber que têm de as respeitar, cumprir e sujeitar-se a elas. E sabem que mais? Eu admiro muito as divergências programáticas, de fundo, de convicções, eu não gosto é de ver as pessoas divergir não por causa de convicções, mas de funções: deixam de ser conselheiros de Estado e entram em rutura com o seu partido, e disso eu não gosto», declarou, sob aplausos.

Ouviram-se risos na sala quando Pedro Santana Lopes enviou «um grande abraço» a António Capucho. «Mando-lhe um grande abraço a sério», reagiu, reiterando em seguida a ideia de que «há limites» para a divergência interna: «Uma coisa é divergirmos de vez em quando do nosso partido, outra coisa é divergirmos sempre».

Numa alusão a José Pacheco Pereira, que integra o programa de comentário político «Quadratura do Círculo», Santana Lopes criticou as «pessoas que estão praticamente sempre em divergência com o partido, todas as semanas, seja o círculo mais quadrado ou mais obtuso».

«A questão é de consciência, não é de normas disciplinares», sustentou, afirmando que se estivesse «sempre em divergência» com o PSD pensaria que havia «qualquer coisa de errado, como nos casamentos».

Pedro Santana Lopes encerrou o seu discurso com a ideia de que se «perdeu muito tempo a aturar aqueles que no partido se julgam mais inteligentes do que os outros» e pôs os congressistas de pé a gritar PSD.