“Na nossa época, de uma competição levada ao extremo, é sempre mais fácil elogiar quem está distante (num outro país, num outro planeta) do que assumir compromissos com quem está próximo, com quem habita connosco um mesmo espaço e um mesmo tempo”, afirmou o antigo reitor da Universidade de Lisboa, que apresentou há cerca de uma semana a candidatura à Presidência da República.


“É urgente reencontrar um sentido para o trabalho universitário, e só o conseguiremos se tivermos a ousadia de percorrer outros caminhos e de afirmar as nossas instituições a partir de dentro, da procura da nossa própria identidade, sem andarmos sempre a correr atrás de lógicas e de critérios que nos impõem de fora”, acrescentou.


“Também há quem considere que a democracia deve parar à porta da escola. Mas não. A liberdade faz-se também de dinâmicas de presença e de participação. A escola tem de habituar as crianças, como queria António Sérgio, ‘à ação municipal, à própria vida da cidade, ao exercício dos futuros direitos de soberania e de autogoverno’”, acrescentou.


“O que me interessa sublinhar é a forma como o conhecimento é a base da liberdade, de uma razão ilimitada, da procura ‘descomprometida’, liberta de ‘dogmas, inquisições e fundamentalismos’, de ‘poderes políticos, financeiros e sociais”’ (António Coutinho). Mas este ‘descomprometimento’ não pode ser nunca ausência de compromisso. Bem pelo contrário. É o assumir de um compromisso maior, de uma responsabilidade que vai muito para além da universidade”, afirmou ainda antigo reitor e candidato a Belém.