Foi entre linhas, tecidos e moldes que Sampaio da Nóvoa retomou a campanha eleitoral para a presidência da República. Em Guimarães, o candidato professor aprendeu como se fazem sapatos, na fábrica Fly London, e não se coibiu de avaliar o produto final, já embalado e pronto para despachar para a Europa.

Enaltecendo o “exemplo de renovação no setor da economia” que já esteve em crise, Nóvoa sublinhou ainda a importância destas empresas de “se abrirem ao mundo” para conseguirem bons resultados, como aqueles que espera garantir nestas eleições.

“Já tenho sapatos para aguentar as próximas três semanas... mas nem que vá descalço”, afirmou divertido, enquanto arrumava o sapato de senhora – “alguma das meninas precisa de sapatos?” – que tinha estado a avaliar.

 
E já que puxou as eleições, os jornalistas decidiram puxar pelo tema do dia: as subvenções vitalícias, que Sampaio da Nóvoa garantiu que, se fosse deputado, "jamais" teria pedido ao Tribunal Constitucional a fiscalização das normas sobre subvenções de ex-titulares de cargos políticos.

"Pessoalmente, como sempre fui toda a minha vida, estou contra a existência de subvenções vitalícias”, acrescentando que “se fosse deputado jamais tomaria uma decisão dessas”, referindo-se à posição tomada por Maria de Belém enquanto deputada.


Para o candidato a Belém, também o Presidente da República deve estar fora dessa matéria. Caso essa lei não seja entretanto alterada para incluir também o Presidente fora das subvenções vitalícias, o antigo reitor reiterou que abdicará da subvenção caso seja eleito.

"[Depois da alteração de 2005] Ficou apenas uma subvenção vitalícia que não foi extinta na decisão de 2005, a que diz respeito ao Presidente da República. E eu também considero que o Presidente da República não deve ter subvenção vitalícia".
 

"Marcelo na Presidência seria um desastre”


No seu regresso ao distrito de Aveiro, onde tinha estado no segundo dia de campanha, Sampaio da Nóvoa foi recebido de forma entusiástica por cerca de 400 pessoas que o esperavam no Centro Luso Venezuelano de Santa Maria da Feira.

“Nóvoa a presidente, Nóvoa a presidente” ouvia-se na sala onde o candidato entrou pouco antes das 21:00 para voltar a apontar baterias a Marcelo Rebelo de Sousa.

Mas antes de ser o antigo reitor da Universidade de Lisboa a atirar críticas contra o professor, Carvalho da Silva subiu ao palco e escolheu como alvo para as suas flechas... Marcelo Rebelo de Sousa.

"Marcelo é um mestre da dissimulação, é um dos mais exímios construtores de trapaças a partir da introdução inicial de umas pinceladas de verdade".


Palmas e mais palmas para a crítica a Marcelo que se foram repetindo ao longo da noite. Carvalho da Silva chegou mesmo a levantar a audiência que apesar de ainda não ter jantado mostrou que forças não lhes faltava para aplaudir quem apoia a candidato.

Para o coordenador nacional das grandes causas da candidatura de Sampaio da Nóvoa, eleger Marcelo para a presidência “seria um desastre” e explica por quê: “Não é possível encontrar naquela figura algo que seja capaz de interpretar os interesses e os anseios do povo português”.

Carvalho da Silva lembrou ainda que os portugueses precisam de alguém com “sensatez e moderação” na presidência e que Marcelo não é esse alguém.

"Alguma vez Marcelo foi um homem sensato e moderado? Um indivíduo que diz tudo e o seu contrário pode ser referenciado como alguém que tem sensatez? Isto é uma ‘tonteria’"

 

"Marcelo já negou mais vezes Pedro do que Pedro negou Cristo"


Nóvoa foi o último a subir ao palco, mas já dizia Shakespeare “o último, mas nem por isso menos importante”. Era por ele que ali estavam aquelas centenas de pessoas, eram a ele que o queriam ouvir. E foi isso mesmo que foi audível durante o discurso de 18 minutos de Carvalho da Silva. Não tanto pelas palavras ditas, mas pelo burburinho que foi aumentando de tom a cada minuto que passava.

Mas o candidato subiu ao palco e o público silenciou-se para o ouvir falar sobre Marcelo Rebelo de Sousa e sobre o seu sacudir de água do capote, em 1996, por causa do Rendimento Social de Inserção (RSI).

Segundo Nóvoa, Marcelo Rebelo de Sousa alegou que, quando em 1996 o PSD "votou contra a criação de uma prestação social, o RSI”, foi vencido pela direção do partido de qual era presidente.


"Que diz o agora candidato quando confrontado com esse voto do seu partido, de que era presidente, e com a argumentação populista absolutamente inaceitável que esse partido desenvolveu? Diz-nos que era presidente do partido, mas não mandava. Foi vencido pela direção. Não sei se assim foi ou não, pois não se conhece registos dessa titânica batalha que o presidente do PSD de então teria travado dentro do seu partido. Mas uma coisa todos sabemos, um presidente, seja ele de um partido ou da República, não culpa os seus soldados rasos".


Para o candidato reitor, o objetivo do seu adversário - a quem a tirada de "soldados rasos" continua a ser dirigida - é apenas um, fazer “tudo o que pode para que nada se discuta” e “tudo o que pode para com nada se comprometer".

"Foi o que aconteceu hoje. O que ouvimos hoje mais uma vez. Onde há três meses um acordo do PS com os partidos à sua esquerda era impensável e até sinal de mau perder, agora merece, confirma e reconfirma a confiança e a habilidade do primeiro-ministro. Tem sido assim com tudo. Tudo o que disse, desdisse agora em campanha. Na ânsia de se afastar dos partidos pelos quais, ainda há três meses fazia campanha e andava a pedir o voto, Marcelo já negou nesta campanha mais vezes Pedro do que Pedro negou Cristo".


Sampaio da Nóvoa segue agora campanha para o distrito de Braga e do Porto. Amanhã o dia fica marcado pela arruada na rua de Santa Catarina no Porto. Já na sexta-feira acontece o almoço na cervejaria Trindade e a típica descida do Chiado.