O candidato presidencial António Sampaio da Nóvoa defendeu esta quinta-feira que Portugal “tem obrigação de fazer mais” em relação aos refugiados que entram na Europa diariamente, em nome dos “valores da história”.

“Julgo que temos de fazer mais, julgo que temos de nos comprometer mais, também em nome do que foram muitos dos valores do nosso passado, em nome do que são muitos dos valores da nossa história, da nossa cultura.”


Questionado pelos jornalistas, à margem de uma reunião com a União Geral de Trabalhadores (UGT), o candidato considerou também que não tem havido o compromisso necessário com os direitos humanos, apesar de na sua opinião esta ser “uma questão absolutamente decisiva para a Europa e para o mundo”.

Sobre o impasse na venda do Novo Banco, o antigo reitor não quis comentar o caso, tendo criticado a ”fúria privatizadora que tem acontecido em Portugal nos últimos meses”, considerando que traduz uma ideologia que vai deixar o país “mais desprotegido”.

O candidato presidencial desvalorizou, por outro lado, a demissão do diretor da sua campanha à Presidência da República, José Romano, dizendo que “as coisas internas da campanha são coisas internas da campanha, não têm nenhuma importância para a vida política em Portugal”.

“Depois das legislativas a campanha recomeçará com uma nova estrutura organizativa já prevista há muito tempo”, afirmou o candidato, acrescentando que “ainda não há decisões” quanto à nova direção de campanha.

Sampaio da Nóvoa disse ainda que não irá suspender a campanha durante as legislativas, mas admitiu que está será mais voltada para a organização interna.

“No fundo, é um tempo de preparação para que a seguir ao dia 4 de outubro a campanha possa ganhar uma nova alma e uma nova dimensão.”

Quanto às declarações de Rui Rio, de que só anunciará uma possível candidatura presidencial depois das legislativas, Sampaio da Nóvoa referiu que “é preciso que as pessoas tenham a coragem de se apresentar com tempo aos portugueses, com transparência, com frontalidade” e “sem se deixarem influenciar pelo partido A ou pelo partido B” ou por sondagens.

“Um Presidente da República que se deixasse influenciar por essas coisas todas, deixar-se-ia também influenciar mais tarde, enquanto Presidente.”


Na reunião com a UGT, Sampaio da Nóvoa disse ter tido a oportunidade de discutir o desemprego e a precariedade, situações que classificou como “verdadeiros atentados contra o futuro do país e uma sociedade mais justa”.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, referiu ter ficado satisfeito “por alguém que, sendo candidato ao mais alto cargo da nação, possa defender os direitos dos trabalhadores”, tendo apresentado a Sampaio da Nóvoa o guião para a legislatura, documento que contém preocupações daquela central sindical.