Foi a tirada mais ouvida ao longo de duas semanas de campanha: “um soldado pode ser general”. E Sampaio da Nóvoa quer ser esse general para os portugueses.

A campanha do candidato que se afirma independente arrancou em Seia, no interior de Portugal, numa escolha que não foi ao acaso, como o próprio candidato afirmou no seu primeiro discurso de campanha:  a visita serviu para não esquecer "o despovoamento do interior" que representa "um dos bloqueios mais persistentes e preocupantes que o país atravessa".

E foi nesses mesmos discursos que Nóvoa foi partindo ao ataque, primeiro devagarinho, depois “com mais energia do que no primeiro dia”.

Aliás, energia foi o que nunca faltou ao candidato numa campanha que começou morna e em ambientes controlados e a sua primeira arruada - em Espinho - foi breve e sem grandes confrontos. Nóvoa parecia pouco à vontade naquele registo, mas rapidamente se "destravou". 

Como o próprio foi dizendo no início dos comícios, a campanha foi depois por Aveiro, Oliveira de Azeméis, Coimbra, Covilhã, Campo Maior, Portimão, Faro, Coruche, Marinha Grande, Porto, Póvoa de Varzim, Valença, Ponte de Lima, Barcelos, Lisboa, Guimarães e de novo o Porto, antes de regressar a Lisboa. Ficou cansado só de ler a estrada que o candidato fez? Ele não é já garantiu ter sapatos para seguir para uma segunda volta. Aliás... Já disse que essa está garantida e que a fará nem que seja descalço

Sim, porque nem as últimas sondagens divulgadas a três dias das eleições desanimam Nóvoa: "a segunda volta vai mesmo acontecer". 
 

Cidadão presidente


Os chavões nesta campanha foram muitos e depois do "tempo novo" e de um "presidente capaz" foi tempo de trazer à campanha o "presidente cidadão", aquele que enquanto candidato dá toques de bola, canta cante alentejano e até mostra os seus dotes de dança e música. 

Sampaio da Nóvoa diz que sabe o que os portugueses precisam, sabe o que o país precisa e tem quatro D's aos quais quer dar resposta: desigualdades, desemprego, despovoamento e desperdício. 

E para dar início a esta cruzada, o candidato visitou tudo e todos: foi ao interior, visitou lares, escolas e infantários e até conversou com alunos "interessados" que lhe fizeram a pergunta mais temível: “Vai mesmo mudar Portugal?”

Nóvoa respondeu que esse não fosse o seu objetivo não se tinha candidatado, mas que para o ano lá voltaria (caso seja eleito) para que os alunos lhe digam se sim ou sopas. “Se sou igual aos outros ou não”. E não será um esforço pra o reitor voltar aos bancos da escola, até porque como confessou tem “tantas saudades de dar aulas”.

Mas, agora trocará de boa vontade os bancos da escola, pela cadeira de Belém, essa que dá como certa que tirará a Marcelo Rebelo de Sousa.

A abstenção e Marcelo

Ao longo de toda a campanha, discurso de Sampaio da Nóvoa foi rodando, mas quase todos os dias havia um ponto comum: o ataque a Marcelo Rebelo de Sousa. 

“Eu tenho dois adversários nestas eleições: a abstenção e Marcelo Rebelo de Sousa”.


A frase foi repetida até à exaustão e não apenas pelo candidato. Apoiantes da campanha e até mandatários afirmaram que Sampaio da Nóvoa pode não derrotar a abstenção, mas que a derrota de Marcelo Rebelo de Sousa está garantida.

Eanes e Sampaio também o afirmaram. Dois dos três “selos de garantia” mostraram o seu apoio ao antigo reitor da Universidade de Lisboa, que chegou a usar a sua experiência nesse cargo ao unir duas faculdades para se dizer capaz de lidar com políticos.

Apoio não faltou a Sampaio da Nóvoa, principalmente quando jogou em casa. Barcelos, Póvoa de Varzim, Caminha e Valença, cidades do coração do candidato, que o viram crescer, trataram-no por tu e garantiram-lhe que no que depender delas, o Tó Mané chegará a presidente. 

Apesar de tudo, Sampaio da Nóvoa nunca teve um banho de multidão na rua. Até ao momento, apenas no comício em Lisboa, mais de 1500 pessoas estiveram presentes. Nas arruadas, o máximo terá rondado os 400 apoiantes. Mas para o candidato o número não importa porque “a força é cada vez mais, o apoio é cada vez mais. E vai crescer”.

Para este candidato a Belém, a esperança está mesmo em acreditar. Dia 24 descobrirá se a sua crença estava certa.