Sampaio da Nóvoa entrou no Alentejo profundo ao quarto dia de campanha e mostrou que também sabe ser o mestre do improviso. Em Aljustrel, onde visitou uma exploração agrícola, o candidato a Belém não se coibiu de entrar numa carrinha de caixa aberta e de levar os jornalistas à pendura. "Isto parece um barco... está aqui a ondular", brincou Nóvoa, que até se ofereceu para conduzir o veículo.
 
Chegados ao olival, foi a vez de apanhar azeitonas e lembrar os jornalistas de que as condições da agricultura daquela zona foram melhoradas graças à Barragem do Alqueva. 

 “Através desse investimento foi possível melhorar as condições da agricultura. Foi possível fazer uma revolução tranquila em toda esta região.”


Mas também se ouviram vozes de discórdia, mesmo que falassem em baixo tom. Paulino, trabalhador da exploração agrícola em Montes Claros, queixou-se que a agricultura “é cada vez pior: as coisas estão cada vez mais mal pagas".

Pode ser que mude, graças ao "homem mais completo que se apresenta à Presidência da República". "Ele diz que se compromete [com o interior] a fazer o que diz, mas isso a gente logo vê se faz ou não", afirmou António Maria Jordão, que trabalha na exploração há mais de 40 anos, e já tem um filho e um neto a trabalhar com ele.

“É fácil tirar do bolso o meu programa”


Depois de Montes Claros, o centro de Aljustrel, mas o caminho até às piscinas municipais ficou marcado pelas paragens de improviso. A caravana seguia a bom ritmo, quando Sampaio da Nóvoa quis parar, ainda a sete quilómetros do destino, para cumprimentar os homens que se juntavam frente a um café.
 
Uns apertos de mão em passo acelerado pois a fila de trânsito já era longa e, mesmo sem buzinadelas, era necessário não atrasar a agenda. Retoma-se a marcha, mas o avistamento de um “Café Central” – que tal como o nome indica fica no centro de Aljustrel – faz a caravana parar para um café rápido ali mesmo.
 
“Eu vou votar nele”, ouve-se mal se cruza a porta do estabelecimento onde, mesmo numa visita de improviso, o candidato é recebido de forma calorosa pelos habitantes que ali se encontram.

Para a Dona Maria, que ali se encontra por acaso, “à primeira volta são capazes de não ganhar”, mas na segunda volta “não há dúvida”.


"Eu não quero lá Cavaco nem que aquele Marcelo vá para lá ganhar."


E é Marcelo que volta a ser alvo das críticas de Sampaio da Nóvoa - "que anda sozinho a passear-se alegremente" por todo o lado - mas não só. Desta vez, também Cavaco Silva foi chamado ao discurso, com o candidato a afirmar que este, durante os dez anos em que foi Presidente, umas vezes “mais parecia querer ser primeiro-ministro” e, outras, um chefe de Estado “que se omitiu” e esteve “ausente”.

Perante uma sala cheia de apoiantes, o antigo reitor da Universidade de Lisboa garantiu que o seu programa é fácil de descortinar: é a Constituição, da qual promete ser  "guardião e promotor dos valores".

“Às vezes perguntam-me qual é o meu programa. É fácil tirar do bolso o meu programa. O meu programa chama-se Constituição da República Portuguesa.”