Lisboa amanheceu sombria, tal como a campanha de Sampaio da Nóvoa. Visivelmente abalado com a morte de Almeida Santos, o candidato presidencial chegou ao Cais do Sodré pouco antes das 9:00 para embarcar na primeira iniciativa do décimo dia de campanha.

Acompanhado pelos jornalistas, Sampaio da Nóvoa fez a viagem entre Lisboa e o Montijo com o objetivo de valorizar os transportes públicos e sensibilizar para as questões ambientais e necessidade de melhoria da qualidade de vida nas cidades e periferias.

À saída do barco, o candidato relembrou Almeida Santos, amigo pessoal do seu pai, Alberto Sampaio da Nóvoa, com grande pesar e anunciou que todas as iniciativas dos próximos dias que tenham "uma dimensão festiva" serão canceladas, como é o caso da descida do Chiado que deveria acontecer na tarde de quarta-feira após um almoço na Cervejaria Trindade.

"Quero deixar uma palavra de sentida homenagem ao doutor Almeida Santos por tudo o que ele representa na nossa vida ao longo de muitas décadas".


O candidato presidencial recordou ainda os encontros de Almeida Santos com o seu pai e afirmou ter por este uma "enorme estima para além do reconhecimento do seu trabalho político e pela sua acção política". 
 

Um almoço e uma foto com os trabalhadores


Após a pequena paragem no Montijo, a caravana SNAP rumou a Setúbal para uma visita aos estaleiros da Lisnave, onde teve ainda duas reuniões: uma com a administração, à porta fechada, e outra com a Comissão de Trabalhadores.

Durante a visita à Lisnave, equipado devidamente com o capacete branco, Sampaio da Nóvoa fez-se acompanhar por Vítor Ramalho e o almirante Melo Gomes, mandatários da sua campanha.

Em declarações aos jornalistas, o candidato glorificou a importância do mar e chamou também a atenção para os estaleiros navais da Lisnave.

“São os mais importantes na reparação naval na Europa, marcam na recuperação económica de Portugal", acrescentando que o mar é importante devido à sua “tripla dimensão”: económica, de conhecimento e de defesa.

Estava dado o toque para o almoço e Nóvoa dirigiu-se para o refeitório onde partilhou a refeição com vários trabalhadores. Antes, houve ainda tempo para uma fotografia de equipa com alguns dos estivadores ali presentes.

“Oh Manel, junta-te e faz umas declarações com o presidente”, ouvia-se entre os trabalhadores que assistiam ao aglomerado de jornalistas que acompanhavam os passos do candidato.

 


Findo o almoço, Sampaio da Nóvoa reuniu-se com três elementos da Comissão de Trabalhadores da Lisnave, que reclamam tabelas salariais mais justas – um trabalhador em topo de carreira recebe um salário máximo de 1.004 euros - e lamentam que a média de idades dos operários da empresa seja muito elevada.

António Pardal, de 61 anos, funcionário da empresa desde os 16, contou que a maioria dos 266 trabalhadores tem mais de 50 anos e que se aguentam neste “trabalho muito desgastante” para não serem penalizados na reforma.

Já Ricardo Malveiro, de 43 anos, trabalha na empresa há 24 anos e explicou que quando a empresa foi criada a Lisnave Yards – cerca de 10 anos depois da fusão entre a Lisnave e a Setenave - vários trabalhadores mais jovens foram prejudicados por não usufruírem das mesmas regalias dos empregados da empresa mãe.
 

Debate é para manter


Durante a visita, Sampaio da Nóvoa comentou a possibilidade de se realizar ou não o debate com os dez candidatos presidenciais, agendado para esta terça-feira, e afirmou considerar que “há condições para que o debate se realize”.

“Da minha parte, se o debate se realizar nos termos em que estava previsto, se o debate tiver a configuração com que todas as candidaturas se comprometeram, eu estarei presente”.


Voltando a reiterar que “as acções de campanha serão canceladas”, o candidato lembrou que “um debate não é uma acção de campanha”.


“Vamos ver durante a tarde. Do meu ponto de vista, a minha disponibilidade para estar presente e para debater é sempre total. Mas obviamente que se as regras se alterarem substancialmente teremos de avaliar o sentido de o manter”.


O décimo dia de campanha terminou após a visita à Lisnave uma vez que, por homenagem a Almeida Santos, todas as iniciativas previstas até às 14:00 de quarta-feira, hora do funeral do histórico do PS, foram canceladas.