O dirigente socialista António Costa afirmou hoje que, na sequência do fim das negociações entre PS, PSD e CDS-PP, aguarda conhecer as outras soluções constitucionais que o Presidente da República disse dispôr num cenário de rutura.

António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, falava à saída da sede nacional do PS, onde decorre uma reunião da Comissão Política Nacional deste partido, após o líder socialista, António José Seguro, culpar o PSD e o CDS-PP por terem inviabilizado o acordo de salvação nacional proposto pelo Presidente da República.

«Agora, vamos com certeza saber quais são as outras soluções constitucionais que o Presidente da República disse que havia, no caso de não haver acordo», declarou António Costa, após ser confrontado com as consequências do fim das negociações entre PS, PSD e CDS-PP.

Nas suas declarações, António Costa também criticou um dos três pilares do acordo proposto por Cavaco Silva referente à possibilidade de realização de eleições legislativas a partir de junho de 2014.

«Do ponto de vista da estabilização da vida política, não me parece que a dissolução a prazo da Assembleia da República seja solução. As dissoluções ou se fazem ou não se fazem, mas não se fazem a prazo, porque isso significa arrastar a situação de indefinição e de incerteza por muito tempo», defendeu o presidente da Câmara de Lisboa.

Sobre a rutura nas negociações entre o PS e as forças políticas da maioria governamental, António Costa lamentou a ausência de consenso.

«É pena que a proposta feita pelo PS não tenha sido aceite, porque visava um acordo para uma mudança de política no sentido do país reencontrar um caminho de crescimento da economia, com travagem do desemprego e com consolidação das finanças públicas. Creio que ninguém poderia esperar que o PS se apresentasse na mesa das negociações com as propostas dos outros e não com as suas propostas», alegou.

Questionado sobre se as pressões exercidas por vários setores socialistas conduziram a que a direção do PS rejeitasse um acordo com o PSD e o CDS-PP, o presidente da Câmara de Lisboa contrapôs que "o essencial é a substância das coisas".

«O PS apresentou as propostas que tinha a apresentar e, pelos vistos, não foram aceites pela direita [PSD/CDS-PP]», afirmou.

Neste contexto, António Costa defendeu depois que é sempre útil a existência de acordos e de compromissos na vida política, «porque isso faz parte da cultura democrática».

«Agora os acordos são bons ou maus em função dos resultados que se alcançam. Perante o estado do país, parece-me prioritário a urgente renegociação do memorando de entendimento» com a troika [Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional] que «objetivamente condiciona o que é essencial para o país, a mudança de política», sustentou.