O PS considerou esta sexta-feira que a «almofada» de 15 mil milhões de euros constituída pelo Governo para assegurar as necessidades de financiamento do país para os próximos 12 meses tem o «espetro» de um autêntico programa cautelar.

Esta posição foi assumida por Eurico Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS, depois de interrogado sobre a expetativa dos socialistas em relação à decisão que será domingo anunciada pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sobre a forma de saída de Portugal do atual Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF).

Eurico Brilhante Dias começou por citar declarações proferidas por Maria Luís Albuquerque quando afirmou que a forma de saída de Portugal «não se pede, anuncia-se».

«O PS ficará a aguardar a comunicação ao país do primeiro-ministro, até porque ao longo destes últimos três anos foi só pela televisão e pelos anúncios do primeiro-ministro que o PS teve conhecimento do andamento do memorando. Mas todos os portugueses já perceberam que o Governo constituiu uma almofada de mais de 15 mil milhões de euros, que custa por ano 430 milhões de euros» em juros, apontou o dirigente socialista.

Eurico Brilhante Dias estimou essa «almofada» em cerca de dez por cento do Produto Interno Bruto (PIB), sendo equivalente às necessidades de financiamento do país para um período entre nove a 12 meses.

«Essa almofada tem um autêntico efeito cautelar, pago naturalmente pelo nosso Orçamento do Estado, mas tem o espetro da intervenção de um programa cautelar. Por isso, em grande medida, o esforço adicional para ter as necessidades de financiamento do Estado garantidas num horizonte de nove a 12 meses está nas contas públicas portugueses, está na dívida pública portuguesa e nos sacrifícios que os portugueses padecem», sustentou o membro do Secretariado Nacional do PS.

Já quando foi interrogado sobre a solução a dar em relação à verba de seis mil milhões de euros do programa de assistência, que se destina à recapitalização da banca, mas que ainda não foi utilizada - e cujo destino final apenas será decidido em outubro -, Eurico Brilhante Dias disse tratar-se "de mais uma evidência de que a troika permanece» em Portugal.

«Esses seis mil milhões de euros, aproximadamente, não são mais do que uma linha cautelar para a banca. Por isso, é uma evidência que até outubro ficaremos com dinheiro dos credores como seguro de eventuais necessidades de recapitalização da banca», alegou.

Na conferência de imprensa, Eurico Brilhante Dias procurou também contrariar a ideia deixada pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, de que a troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) vai sair em breve de Portugal.

«O senhor vice-primeiro-ministro gosta muito de dar a ideia de que a troika sai, mas os credores não saem quando se pede, saem quando se paga o empréstimo. Quer a Comissão Europeia, quer o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu, continuarão a manter sob vigilância reforçada a economia portuguesa», contrapôs o dirigente socialista.