O Partido Popular Europeu saudou hoje o anúncio da saída de Portugal do seu programa de assistência de forma autónoma, sublinhando que se trata de mais um governo desta família política a protagonizar uma «saída limpa», após a Irlanda.

Portugal sai da troika sem programa cautelar

Numa declaração divulgada em Bruxelas, o presidente do Partido Popular Europeu (PPE), atualmente a maior família política europeia, que integra os partidos que formam o governo de coligação em Portugal, PSD e CDS-PP, considerou que o anúncio de hoje é «um ponto de viragem crucial para um país que aguentou com valentia medidas muito difíceis mas necessárias».

«Portugal experimentou um grande sofrimento no seu caminho de regresso à estabilidade financeira, e o povo português nunca esquecerá o preço que teve de pagar pela irresponsabilidade e vistas curtas dos socialistas», considerou Joseph Daul, considerando que foram «a grave indisciplina orçamental e acumulação incontrolada de dívida por um governo socialista», liderado por José Sócrates, que «empurraram Portugal para perto da bancarrota».

O líder do PPE acrescentou que, «felizmente», o Governo PSD/CDS-PP aplicou as reformas necessárias e, como resultado, o país consegue protagonizar hoje uma «saída limpa» do programa de resgate.

«Tal como a Irlanda e o primeiro-ministro Enda Kenny, o primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho é outro exemplo brilhante do PPE de uma governação responsável que mostra resultados concretos», conclui.

Numa declaração ao país, feita hoje à noite a partir da sua residência oficial, em São Bento, Lisboa, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho anunciou que Portugal vai sair do atual programa de resgate financeiro sem recorrer a qualquer programa cautelar.

«Depois de uma profunda ponderação de todos os prós e contras, concluímos que esta é a escolha certa na altura certa. É a escolha que defende mais eficazmente os interesses de Portugal e dos portugueses e que melhor corresponde às suas justas expectativas», acrescentou o chefe do executivo PSD/CDS-PP.

A decisão será formalmente comunicada pelo Governo aos seus parceiros da zona euro na segunda-feira, numa reunião do Eurogrupo, a última durante a vigência do resgate iniciado em 2011, na qual Portugal estará representado pela ministra Maria Luís Albuquerque.