Os candidatos às primárias da plataforma Livre/Tempo de Avançar Rui Tavares e Ana Drago desvalorizaram hoje a possibilidade de não serem eleitos para as listas, salientando o processo inédito que querem que dê lugar a uma "legislatura cidadã".

Cerca de 7.850 pessoas começaram no sábado a participar em todo o país nas primárias da plataforma Livre/Tempo de Avançar, escolhendo e ordenando os 385 candidatos nos 22 círculos eleitorais para as legislativas, que se realizarão entre setembro e outubro.

"Era um nó górdio da nossa democracia, que excluía muitos portugueses da participação política, todos podiam votar nas eleições mas em escolhas que já estavam feitas. Desta vez, quem escolhe, quem decide, somos nós", afirmou Rui Tavares aos jornalistas.


Rui Tavares falava junto à mesa de voto que está instalada num palco coberto no largo de Camões, em Lisboa, uma estrutura da EGEAC (empresa municipal de cultura de Lisboa) que já estava montada para um espetáculo e permaneceu no local para as primárias.

"Não podemos deixar de sentir uma enorme responsabilidade pela promessa que estamos a fazer às pessoas, de mais abertura, de mais responsabilização, de mais transparência e de mais escrutínio, também", disse.


Rui Tavares comprometeu-se a, após as eleições, transformar a "candidatura cidadã" numa "legislatura cidadã".

"Queremos que toda esta gente controle o grupo parlamentar e espero que seja um grupo parlamentar numeroso que viermos a eleger, que com esse grupo parlamentar acompanhe toda a legislatura, todo o mandato, que discuta as propostas legislativas, que participe no pensamento acerca das reformas que é preciso fazer em Portugal, que estejam presentes quando for preciso tomar as grandes decisões desse mandato", disse.

Rui Tavares desvalorizou a possibilidade de não vir a ser eleito para as listas à Assembleia da República, assim como desvalorizou a sondagem divulgada na sexta-feira, em que o Livre/Tempo de Avançar não aparece.

"As sondagens têm muitas dificuldades em identificar este tipo de movimentos", respondeu, acrescentando que nas eleições europeias os 2% de votação alcançada pelo Livre também não teve expressão nas sondagens.


No mesmo sentido, Ana Drago desvalorizou a possibilidade de não ser eleita, preferindo sublinhar que aquela candidatura está "a fazer política de uma forma diferente, em que as pessoas sentem que aquilo que são a as suas escolhas são levadas a sério".

"Isso percebeu-se na forma como nós votámos escolhas políticas na convenção cidadã de janeiro, e agora como abrimos as listas à participação dos cidadãos", declarou aos jornalistas junto à mesa de voto do largo de Camões.


Para a ex-deputada do Bloco de Esquerda, "o que faz a diferença em todo este processo é essa perceção de que aqui a forma como as pessoas participam na política não é só serem um friso humano num comício, é estarem presentes e terem um papel determinante naquilo que são as escolhas desta candidatura cidadã".

A agência Lusa testemunhou que, entre as 16:00 e as 17:00, a mesa de voto contou sempre com fila de pessoas para votar.

Os boletins de voto de cada círculo têm fotografias dos respetivos candidatos, por ordem alfabética, com a opção sobre qual a posição em que deverá figurar na futura lista.

Os resultados das primárias deverão ser conhecidos no início da próxima semana, entre segunda e terça-feira.