O Livre/Tempo de Avançar propôs a PS, CDU e BE um acordo pré-eleitoral de esquerda, que inclui a inviabilização de um Governo com PSD e CDS-PP, anunciou esta quinta-feira o cabeça de lista por Lisboa.

"Apresentámos uma proposta de compromisso ao Partido Socialista, à CDU e ao Bloco de Esquerda e esta proposta intima todos estes partidos da esquerda de anunciarem ao país e à Presidência da República que o próximo Governo deve sair de uma maioria parlamentar, e se essa maioria parlamentar for de esquerda, que esse Governo deve ser de esquerda", anunciou Rui Tavares, antes de partir para uma pedalada por Lisboa com apoiantes.

O dirigente do L/TDA afirmou também que o acordo prevê que "as forças à esquerda se comprometem a não negociar a viabilização de um próximo Governo com qualquer dos partidos da coligação da direita".

O L/TDA pretende que a partir do próximo dia 05 de outubro os partidos de esquerda construam "um programa comum que inverta as políticas dos últimos anos".

Na opinião de Rui Tavares, este acordo classifica-se como histórico, porque a história mostra que "a esquerda em Portugal nunca se entendeu para fazer aquilo que é necessário, que é derrotar a direita e aplicar políticas de progresso e justiça social".

"É absolutamente necessário que todos os partidos à esquerda façam finalmente aquilo que durante esta campanha, nas ruas, tantos portugueses e portuguesas nos pediram: entendam-se para mudar de políticas".


Na opinião do dirigente, a maioria do parlamento será "plural, [pois] segundo todas as sondagens ninguém terá maioria absoluta agora", por isso, considera "necessário garantir que a esquerda consiga funcionar em conjunto para que a democracia funcione também e possa, não só dar alternância, mas também dar alternativa".

A segunda candidata a deputada por Lisboa, Ana Drago, também afirmou que "não vai haver maioria absoluta de nenhum partido, nem da coligação nem do Partido Socialista" e que a direita sairá derrotada destas legislativas.

"É necessário que as esquerdas larguem a sua velhíssima tradição de sectarismo e de incapacidade de diálogo e estabeleçam um compromisso histórico para responder, de facto, à vida das pessoas", vincou Ana Drago, defendendo que "o voto útil é no Livre/Tempo de Avançar".

Ana Drago disse, também, que ainda não receberam nenhuma resposta ao repto lançado, que justificou com o facto de o terem divulgado "há pouco tempo".

"Se o Partido Socialista não responder, isso significa que está a dizer de forma implícita que deixará passar um bloco central ou que quer novas eleições", considerou, tendo acrescentado que "se PCP e Bloco de Esquerda querem mesmo derrubar o Governo da direita este é o momento de comparecerem, não haverá uma segunda oportunidade".

Em entrevista à Lusa, em setembro, Rui Tavares havia já demonstrado disponibilidade para a concretização de um Governo "ancorado à esquerda".

Foram dezenas as pessoas que se montaram nas bicicletas e se juntaram à iniciativa que partiu do Saldanha e teve meta em Santos, em frente ao teatro onde o L/TDA realiza o último comício, que marca o encerramento da campanha eleitoral.

No dia em que o Livre/Tempo de Avançar quer tentar "casar a esquerda", a pedalada cruzou-se com alguns casais de noivos que tiravam fotografias pelas ruas da cidade.