O eurodeputado e ex-militante do BE Rui Tavares propõe que o seu Partido Livre, ainda por formalizar, seja a «alavanca do meio da esquerda», seduzindo o PS e o PCP com o objetivo de fazer Governo.

«Achamos absurdo que a esquerda tenha andado, durante muitos anos, a mandar o PS para os braços da direita. É verdade que o PS, muitas vezes, quis ir, mas nós facilitámos a vida ao PS. É preciso dificultar a vida. Acho que há muita gente no PS e no povo português que nos agradecerá. Há que puxar o PS para a esquerda, dizer-lhe que há um Governo a fazer à esquerda», disse, este sábado, à Lusa.

Entre momentos de trabalho na assembleia constitutiva do novo partido, ainda a angariar assinaturas para a sua formalização, mas com a data de 31 de janeiro assente para um congresso fundador, Tavares não exclui os comunistas do seu projeto.

«O PCP também. Toda a gente faz imensas carantonhas e puxa pela corda, mas a esquerda não sai do mesmo sítio. É preciso encontrar o ponto da alavanca, que consideramos que é o meio da esquerda, e, se acharmos um ponto de apoio, como dizia o Arquimedes, nós levantamos o Mundo. Não precisamos de levantar o Mundo, era só levantar Portugal e a esquerda portuguesa», afirmou.

Sobre o recente «Manifesto 3D» («Dignidade, Democracia, Desenvolvimento»), um documento que inclui subscritores participantes no Congresso Democrático das Alternativas, como Daniel Oliveira, Carvalho da Silva, Boaventura Sousa Santos, entre muitos outros, o também historiador e colunista contou que o mesmo foi incluído, por proposta em plena assembleia constitutiva, no conjunto de textos de referência da nova força política.

«Consideramos que as preocupações que ali estão [no manifesto] são muito semelhantes às que nós temos. Quem tem as mesmas preocupações não tem razão, seja tática, individual ou qualquer outra, para não colaborar e tentar ter um programa progressista para o país», declarou.

As eleições para o Parlamento Europeu, em 25 de maio, não são o único fito do Partido Livre, perspetivando-se um plano mais lato.

«Não somos uma plataforma para as europeias. Queremos ser uma corrente de opinião a ocupar um espaço político que considerámos que até agora não estava a ser ocupado. É uma coisa para médio-longo prazo, com mais sucesso, menos sucesso, logo se vê...», frisou.

Rui Tavares garantiu que «o Livre tem um discurso e ideias para a Europa e saberá o que fazer se merecer mandatos para o próximo quinquénio em termos de políticas para 500 milhões de pessoas (União Europeia)».