O PSD só está disponível para acordos globais no Parlamento para concretizar reformas que exigem maiorias alargadas, disse o presidente do partido, Rui Rio.

Estamos disponíveis para acordos globais democráticos com representação parlamentar, mas apenas e só para concretizar as reformas que exigem, pela sua natureza de continuidade e estabilidade governativa ou por imperativo constitucional, maiorias alargadas", disse Rui Rio, na cerimónia comemorativa dos 44 anos do PSD, este sábado, em Beja.

Falando para uma audiência que quase encheu o Teatro Municipal Pax Julia, Rui Rio disse que "o PSD é o partido que sempre liderou as mais importantes reformas estruturais" da história da democracia portuguesa.

O PSD é o partido de quem não se conforma com a mera gestão dos pequenos ganhos dos curtos ciclos de prosperidade conjuntural como hoje, infelizmente, está a acontecer no nosso país", disse.

Segundo Rui Rio, o PSD defende "um país mais justo e mais equilibrado" e onde "as pessoas se possam rever nos seus governantes, porque os reconhecem como competentes, corajosos e, acima de tudo, sérios".

Governantes "sérios do ponto de vista material, porque não ocupam cargos públicos para enriquecer, e do ponto de vista imaterial, porque são coerentes e não se desdizem ao sabor das suas conveniências" e que "honrem a democracia em vez de a desonrarem, como infelizmente tantas vezes tem acontecido", esclareceu.

Rui Rio disse também que o PSD não quer olhar para a política "como um exercício retórico ou de lutas intestinais, sejam elas dentro das fileiras do partido ou nos combates com os adversários".

"Olhamos [sociais-democratas] para a política como uma missão para resolver os problemas das pessoas, uma missão de serviço ao país com responsabilidade e com sentido de Estado, longe dos calculismos e das habilidades táticas para meros ganhos de curto prazo", explicou.

Trata-se de uma missão que o PSD "aspira levar a cabo ao leme da governação de Portugal", o que, ao longo da sua história, "sempre soube fazer com particular sentido de responsabilidade", afirmou.

“O PSD não se pode conformar com um Portugal centralizado, concentrado e desigual”, e, por isso, festejou hoje os 44 anos em Beja, “em pleno coração” do Alentejo, “uma região historicamente sofrida e demasiado tempo esquecida pelos poderes políticos”, disse.

 

Solução de Governo esgotou-se e nova forma de oposição do PSD cria “alaridos”

O presidente do PSD disse ainda que a atual solução governativa se esgotou e está a "esboroar-se" nos “interesses antagónicos" dos partidos que a apoiam e a nova forma de oposição social-democrata está a criar alaridos na esquerda.

Cumpridos quase dois terços da atual legislatura, já ninguém tem dúvidas de que a solução governativa em que vivemos se esgotou e se está a esboroar nas suas próprias contradições ideológicas e [nos] interesses partidários antagónicos."

Para Rui Rio, "bastou um reposicionamento do PSD na forma de fazer oposição para vermos o alarido que vai nas fileiras dos partidos de esquerda mais radical, que apoiam a atual solução governativa".

"Por que se agitam tanto a enviar recados ao PS e ao Governo?", questionou, respondendo: "Apenas e só porque percebem que o PSD se está a credibilizar perante os portugueses, pondo cada vez mais em risco a sua parte das migalhas de poder que os socialistas lhe deixam cair da sua mesa".

Mas, continuou, "quem tem a principal batata quente nas mãos é o próprio Governo, que não ignora as contradições das suas políticas, justamente por estar preso aos compromissos e às exigências dos seus atuais parceiros parlamentares".

O líder do PSD disse que, "apesar dos arrufos e das ameaças pré-eleitorais a que assistimos entre os partidos do arco parlamentar da governação, ninguém se esquece que eles são politicamente cúmplices em torno da coligação negativa que os une desde 2015".

Cabe ao PSD "mostrar aos portugueses que esta política apenas se sustenta numa ilusão conjuntural alimentada pela adequada propaganda no sentido de criar a ideia de que tudo está a melhorar", frisou, defendendo que, "tal como as demais ilusões, também esta tem vida curta".

"Que o digam os portugueses que todos os dias enfrentam os estrangulamentos no Serviço Nacional de Saúde", que, "por este caminho, poderá entrar em colapso, se não mudarmos rapidamente de rumo", alertou.

Segundo Rui Rio, "não é mais possível deixar continuar a degradar-se o Estado em que se encontra" o setor da Saúde, que é "absolutamente vital para o bem-estar de todos os portugueses".