O antigo vice-presidente do PSD Rui Rio remeteu hoje para o destino a hipótese de vir a ser primeiro-ministro, enquadrando-se entre aqueles que não querem desesperadamente esse cargo nem o recusam em absoluto.

Durante um almoço debate promovido pelo International Club of Portugal, num hotel de Lisboa, Rui Rio foi questionado diretamente se «pretende ou não ser primeiro-ministro deste país», e respondeu que «não pode ser primeiro-ministro em Portugal quem não quer de forma nenhuma, quem não tem a mínima paciência para aquilo, porque aquilo exige um sacrifício de todo o tamanho», nem «quem quer aquilo a todo o transe, porque não mede bem o que para lá vai fazer».

«Portanto, só ficam os do meio. E os do meio, acho eu, no quadro em que Portugal está, não devem ser nem podem ser donos do que quer que seja. É a evolução das coisas, é o destino que há de dizer se é A, se é B, se ou C. Acho que ninguém deve forçar», concluiu o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto.

Depois, interrogado pelos jornalistas sobre onde é que se encaixa, entre os que «querem muito, muito» e os que «não querem de maneira nenhuma» exercer o cargo de primeiro-ministro, o social-democrata adiantou: «Nem é muito nem pouco, eu acho que me encaixo onde se encaixa a maioria das pessoas, que é no meio. Ou seja, percebe-se a grande dificuldade que é e, portanto, também não é prudente ninguém forçar o que quer que seja. Isso eu nunca na vida fiz para nada, e não vou fazer».

Confrontado com o facto de se falar também numa possível candidatura sua às eleições presidenciais de 2016, Rui Rio afirmou que neste momento não é «candidato a nada» escusando-se a desenvolver mais o tema do seu futuro político. «A minha resposta está dada», declarou.

«Aquilo que eu tenho feito é uma intervenção cívica, agora muito mais reduzida do que aquela que tinha feito antes», referiu, antes, o social-democrata, acrescentando: «Essa intervenção cívica é motivada pelo conhecimento de algumas coisas pelo lado de dentro, por força de ter estado muitos anos na política, e que me preocupam, e portanto é para mim um privilégio poder falar para auditórios e pôr determinados auditórios a pensar como eu».