O presidente do PSD disse esta sexta-feira que os processos movidos aos autarcas que ultrapassaram os orçamentos destinados às campanhas eleitorais, “não são processos isolados”, mas apenas a aplicação das regras, exigindo o partido ser ressarcido das verbas gastas indevidamente.

Isto não é um caso isolado, porque não fazemos isto ‘a domina’. Implicamos com aquele e não implicamos com outros. Isto é uma regra e esta regra é aplicada e depois verificamos se há um caso, se há dois ou se há dez”, disse aos jornalistas o líder dos social-democratas à margem da visita que efetuou a Monchique, no Algarve.

Para Rui Rio, o que está em causa, “é alguém ser candidato a uma autarquia, e que está autorizado pelo partido a gastar cem e gasta 150”.

Então tem de dar uma resposta para os 50 que gastou a mais, porque isto somado e multiplicado por muitos casos, torna-se absolutamente impraticável. Essa responsabilização é o que nós temos de fazer”, frisou.

Na sua opinião, se se falar de quatro ou cinco mil euros “não há problema, acontecendo o mesmo com quem gasta 40, 50 ou 60 mil, caso a pessoa esteja na disponibilidade de assumir a responsabilidade e encontrar e articular uma forma de resolução”.

Obviamente que temos um problema quando não é assim e isto tem de servir também de exemplo para o futuro, porque dentro dos partidos tem de haver sentido de responsabilidade”, destacou.

Rui Rio acrescentou que os partidos não podem ter um “passivo monstruoso, relativamente àquilo que é o seu ativo e depois porem-se perante o eleitorado a dizerem, ‘votem em mim para governar o país’”.

Como é que eu vou governar o país se não consigo governar o partido?”, questionou.

Rui Rio disse desconhecer o número de casos identificados de autarcas que ultrapassaram os orçamentos da campanha muito acima dos valores estipulados, “sendo a secretaria-geral a tratar dos casos”.

Eu tenho a responsabilidade política para dizer que sim a esta medida, disto não tenham dúvidas”, sublinhou o líder partidários, acrescentando que o número de casos será conhecido depois de serem publicados pelos tribunais.

Segundo Rui Rio, o partido “apenas quer ser ressarcido das verbas gastas indevidamente pelos candidatos”.

"Sonho do doutor Santana Lopes"

Ainda em Monchique, o presidente do PSD desvalorizou a criação de um novo partido político por parte de Pedro Santana Lopes, considerando que se trata “talvez do concretizar de um sonho” por parte do antigo presidente do partido e ex-primeiro-ministro.

O doutor Santana Lopes alimentava um pouco esta ideia há muitos anos. Eu próprio na campanha eleitoral falei nisso, porque isto já vem de trás. Tinha a ideia na cabeça e resolveu concretizar”, disse aos jornalistas Rui Rio à margem da visita ao concelho de Monchique, no distrito de Faro.

Pedro Santana Lopes desvinculou-se do PSD e anunciou a criação de um novo partido político, “Aliança”, estando neste momento na fase de recolha de assinaturas.

Na opinião de Rui Rio, a criação do novo partido por parte do ex-líder social-democrata pode até não ser tão negativo para o PSD: “Se o PSD quiser ganhar eleições, não é na direita, ali a combater a Aliança ou o CDS-PP para ir buscar um ou dois por cento”.

Onde ganha é ao centro, onde exatamente está a abstenção. É num universo de 20, 30, 40 por cento de eleitores que não vota, eleitores de centro moderado. É nesse espaço que é da social-democracia onde está, a juntar o útil ao agradável, o potencial de ganho e de vitória do PSD”, sublinhou.

Por isso, acrescentou, o PSD “só tem de convencer essas pessoas que aqui está qualquer coisa de diferente em que vale a pena apostar e votar”.

Rio disse ainda que não está desiludido com a saída e a criação de um novo partido por parte de Pedro Santana Lopes: “Nem vejo como uma coisa tática, mas sim a concretização de uma ideia e um sonho do doutor Santana Lopes, com o qual não vou ficar zangado”.