O presidente do PSD, Rui Rio, manifestou esta segunda-feira a vontade de trabalhar com os 89 deputados do grupo parlamentar, mas avisou que os que “não quiserem colaborar” assumem essa responsabilidade.

Os deputados são 89, à partida contamos com 89. Aqueles que não quiserem colaborar assumem essa responsabilidade de não colaborar, vou trabalhar com todos aqueles que quiserem trabalhar”, afirmou Rui Rio, em resposta aos jornalistas no final de um almoço de trabalho com o Presidente da República, no Palácio de Belém, em Lisboa.

Questionado se irá reunir-se ainda esta semana com a bancada do PSD, depois de o líder parlamentar ter sido eleito com menos de 40% dos votos, Rui Rio respondeu: “O grupo parlamentar não tem a direção toda eleita ainda, deixe eleger a direção toda, deixe estabilizar”, disse, referindo-se à eleição dos coordenadores e dos vice-coordenadores da bancada, que ainda não ocorreu.

Relativamente à reapreciação do diploma sobre o financiamento dos partidos, marcada para sexta-feira e cuja versão inicial foi vetada pelo chefe de Estado, o líder do PSD assegurou que mantém as dúvidas que manifestou na campanha interna sobre a isenção total do IVA para as forças políticas.

Vou ver com o grupo parlamentar, a direção foi eleita há muito pouco tempo - ainda nem sequer foi toda eleita - vamos ver isso com pormenor, sendo certo que o que eu disse na campanha mantenho, precisamente na parte do IVA”, afirmou.

"Um almoço muito agradável”

Sobre o almoço “muito agradável” que teve com o Presidente da República, Rui Rio defendeu que este pode ter “um papel muito importante” na aproximação entre os partidos.

Não vou dizer exatamente o que foi tratado com o Presidente da República, posso dizer que foram passados em revista os diversos temas nacionais da atualidade e sem ser da atualidade (…). Foi um almoço muito agradável”, disse Rui Rio, no final de um almoço a dois que durou cerca de hora e meia e que ocorreu uma semana após se ter reunido com o chefe de Estado acompanhado por uma delegação de cinco dirigentes do PSD.

Tal como já tinha dito na semana passado, Rui Rio recusou ter levado a Belém uma “pasta com propostas” e voltou a apontar as áreas da descentralização e dos fundos comunitários como as prioritárias para entendimentos com o Governo.

Quando falamos em questões de reformas estruturais, naturalmente que ninguém traz as reformas estruturais numa pasta, têm de ser devidamente conversadas, articuladas, debatidas não só dentro do partido, como com os outros partidos”, salientou.

Sobre o papel do chefe de Estado nestes entendimentos, o líder social-democrata considerou que pode “ter um papel muito importante na aproximação dos partidos para um diálogo construtivo”.

Isso é uma coisa que agrada sempre a um Presidente da República”, afirmou, dizendo, contudo, que Marcelo Rebelo de Sousa “não ficou de fazer nada” a esse respeito.

Descentralização "com calma"

Sobre as críticas, nomeadamente do ex-líder do PSD e comentador televisivo Marques Mendes, de que as matérias prioritárias para entendimentos com o PS esqueceram a valorização do interior, Rui Rio salientou que “o que está em cima da mesa é uma parte da descentralização, que tem a ver com a passagem de competências dos municípios”.

A descentralização é uma coisa muito maior, e é para se fazer direito, com calma, compassadamente no tempo, o que está em cima da mesa - e já estava - é uma parte”, disse.

Há uma semana, Rui Rio transmitiu ao Presidente da República que os sociais-democratas estão “completamente disponíveis” para dialogarem com “outros partidos” com vista a concretizar as reformas de que Portugal precisa.

No dia seguinte, o presidente social-democrata reuniu-se com o primeiro-ministro, António Costa, num encontro de onde saiu a afirmação de “uma nova fase” nas relações entre PSD e Governo e a definição dos dois temas prioritários para futuros entendimentos: descentralização e fundos comunitários.