O presidente do PSD disse na terça-feira que as próximas eleições autárquicas são “importantíssimas” para a “real implantação estrutural do partido” no terreno, lembrando que desde 2005 o PSD tem “vindo a cair” nestas eleições.

No encerramento da apresentação do Conselho Estratégico Nacional (CEN), na Maia, durante o qual chegou a ser anunciada a sua ausência devido a uma questão pessoal, Rui Rio considerou que o PSD tem, a partir de agora, de estar “ativo concelho a concelho” no que concerne à atividade autárquica, particularmente onde é oposição.

Passou-se um ano desde as últimas eleições autárquicas, portanto, faltam três anos para as próximas, não é grave que durante o primeiro ano as coisas não tenham grande dinâmica, mas já é grave se, a partir de agora, o partido não estiver ativo concelho a concelho”, frisou.

Neste sentido, Rui Rio pediu às distritais e às concelhias para traçarem uma “estratégia de acompanhamento” da atividade municipal porque o PSD "tem vindo sempre a cair" nas autárquicas desde 2005 até 2017.

As eleições autárquicas são a “verdadeira implantação do partido no terreno”, frisou o ex-autarca da Câmara Municipal do Porto, e ressalvou que se um partido estiver “fortemente implantado” nas câmaras e juntas de freguesia está “onde é mais importante” estar.

Por isso, o líder do PSD vincou que “tudo aquilo que o partido foi perdendo”, ao longo destes anos, vai ter agora de o recuperar.

Rio afirmou “não saber” se vai estar na liderança do partido aquando das próximas autárquicas, mas adiantou que se estiver não vai “fazer demagogia”, nem andar com “conversas fiadas” porque a vitória tem de se construir fazendo, por exemplo, oposição, salientou.

Na sua opinião, o acompanhamento da atividade municipal é o que permite ao PSD ter “a aspiração” de chegar a 2021 com mais câmaras do que as que atualmente tem.

Se continuarmos a fazer como fizemos muitas vezes, de não ligarmos às coisas, será muito difícil”, disse.

Além das eleições autárquicas, Rui Rio mostrou ainda a ambição de conquistar as europeias e legislativas.

 

Rio diz que partidos estão descredibilizados

Ainda na Maia, o presidente do PSD considerou que os partidos estão “profundamente descredibilizados” perante a opinião pública, e defendeu que é fundamental alterar a forma de militância sob o risco de o descrédito ser “ainda maior”.

Os partidos estão profundamente descredibilizados perante a opinião pública (…), acho que ela tem razão e não sabe muito bem como as coisas se passam, se soubesse ainda teria pior [opinião], temos de ter consciência disso”, vincou.

Por esse motivo, o ex-autarca da Câmara Municipal do Porto referiu que os partidos têm de mudar a forma de militância ou “a cada ano o descrédito” será maior.

“Temos de ter a criatividade de encontrar novas formas de militância e novas formas de participação na política”, frisou.

Pelo calendário eleitoral, a atual direção nacional não tem o tempo de que precisa para pensar, fazer e discutir a transformação que se exige, disse Rio, acrescentando ter surgido a ideia de criar o CEN, organismo para já informal, cujo objetivo assenta na elaboração de um programa eleitoral e na criação de uma militância diferente no PSD.

O CEN é um órgão consultivo e de aconselhamento nas questões nacionais, constituído no início do mandato de Rui Rio como líder do PSD.

Rio explicou que o CEN tem duas vertentes, uma que assenta na elaboração do programa eleitoral do partido, o que não constituiu uma “grande novidade”, e outra relacionada com a criação de um novo espaço de militância “com uma nobreza diferente” e onde os cidadãos podem militar em razão dos temas de que mais gostam.

“Se isto funcionar os outros [partidos] vão ter de copiar, não tem outro remédio”, considerou.

O presidente do PSD explicou que o CEN permite que qualquer militante, simpatizante ou independente dê informações e ideias em diferentes áreas de intervenção.

O CEN é “absolutamente vital” para se conseguir um novo PSD, adiantou, explicando que um “novo partido não é outro PSD”, mas sim um partido adaptado à nova sociedade.

Também o vice-presidente do PSD, David Justino, defendeu que “todas as contribuições” são fundamentais para o partido, apontando que as soluções tanto podem vir do Norte como do Sul do país.

O ex-ministro da Educação vincou que o PSD está mobilizado, sendo o CEN um órgão que agrega grupos de trabalho que trabalham para “ganhar as três eleições”.