O novo presidente da Assembleia Municipal do Porto, Miguel Pereira Leite, prometeu «independência e equidistância» na condução dos trabalhos e disse querer contribuir para que estes decorram com «cada vez maior elevação».

Miguel Pereira Leite foi segunda-feira à noite eleito presidente daquele órgão Porto, com 29 votos num universo de 46, e sucede a Daniel Bessa, que se demitiu em janeiro.

O novo presidente, proposto pelo grupo municipal afeto ao presidente da Câmara, Rui Moreira, derrotou Honório Novo, que foi proposto pela CDU e obteve 13 votos.

Registaram-se quatro abstenções na eleição que foi feita por voto secreto.

Daniel Bessa demitiu-se alegando «motivos pessoais», mas já este mês afirmou à Rádio Renascença (RR) que «havia CDS a mais» no município portuense.

Miguel Pereira Leite, simpatizante do CDS-PP e administrador de uma sociedade gestora de fundos, era o segundo secretário da mesa da Assembleia Municipal, cargo para o qual foi eleita, com 33 votos, Maria Paula Faria, docente da Universidade Católica do Porto e também representante do movimento de Rui Moreira.

A socialista Ana Paula Vitorino mantém-se como vice-presidente.

Miguel Pereira Leite pediu aos deputados para usar da palavra «sem demagogia» e citou até o poema «Com Fúria e Raiva», de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde se lê, nomeadamente, «Com fúria e raiva acuso o demagogo que se promove à sombra da palavra».

O deputado Pedro Moutinho, dirigente do CDS-Porto e eleito pela lista de Rui Moreira, disse que «há uma pessoa que está a menos, Daniel Bessa», numa alusão clara ao que este disse à RR. «Ele é que escolheu sair e abandonar a cidade», afirmou ainda Pedro Moutinho.

O coordenador do mesmo grupo, André Noronha, também militante centrista, reforçou a crítica a Daniel Bessa e desmentiu qualquer crise interna. «Só fazem falta os que cá estão», concluiu.

O PSD tomou uma «posição claramente política» contra a substituição de Bessa por Miguel Pereira Leite, alegando que «está desvirtuado todo o cenário eleitoral» da candidatura independente de Rui Moreira.

«Daniel Bessa foi um dos vértices» da candidatura, alegou o social-democrata Luís Artur.

O deputado disse que são desconhecidas as razões o anterior presidente a demitir-se e insstiu que «a questão politica não está ultrapassada». «Rui Moreira deve dar explicações», sustentou. Rui Moreira, porém, manteve-se calado sobre o assunto.

O PS apoiou a candidatura de Miguel Pereira Leite, argumentando que este tem «todas as condições» exercício do cargo e «oferece garantias de isenção».

A CDU entende que a presidência da Assembleia Municipal do Porto por um simpatizante do CDS-PP «não dá garantias de um exercício isento e plural desta importante função» e, ao mesmo tempo, criticou o PS por ter feito um acordo de governação da Câmara com Rui Moreira.

A CDU avançou por isso com a candidatura de Honório Novo, antigo deputado do Parlamento Europeu e da Assembleia da República e vereador em Gaia e em Matosinhos.

«Pode contar com a minha tradicional frontalidade e clareza de posições», disse Honório Novo, dirigindo-se ao novo presidente.

O Bloco de Esquerda, que apoiou Honório Novo, considerou tratar-se de uma «insólita situação» a eleição de uma nova mesa da Assembleia Municipal, pouco mais de cem dias após a eleição da anterior.