O presidente da Câmara Municipal do Porto afirmou que os partidos políticos estão «transformados numa coligação com agências de emprego» enquanto o ex-autarca João Soares culpou as estruturas partidárias pelo "descrédito quase completo" na atividade política.

Esta noite, durante a 1º conferência de um ciclo de encontros a realizar no Centro Empresarial Leonesa, Rui Moreira e o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa defenderam que a prioridade deve ser a reforma do sistema político e não a do Estado.

Soares defendeu também alterações ao sistema eleitoral na Assembleia da República, onde os partidos têm o «monopólio» na apresentação de candidaturas, apontando necessidade de possibilitar que movimentos independentes possam também concorrer a um lugar no parlamento, embora admita ser «reduzida» a possibilidade de isto acontecer.

«Preciso é reformar primeiro o sistema político. Só depois disto feito é que a reforma do Estado poderá ser feita. Tentar resolver com a reforma do Estado é fazer ao contrário, não vai funcionar», defendeu Rui Moreira.

Para o autarca, eleito por um movimento independente, «no pós-25 de abril, os partidos ainda não se tinham transformados numa coligação com agências de emprego, que hoje são».

Moreira apontou como exemplo do «modelo de profissionalização» que «raptou o Estado» o «desequilíbrio» entre «aquilo que é a expetativa das pessoas quanto às competências municipais e aquilo que realmente são essas competências».

Segundo o autarca portuense aquele desequilíbrio acontece «porque os partidos assim quiseram» que fosse: «É muito mais fácil controlar um Estado central, muito mais fácil impor logicas partidárias do que num Estado descentralizado», resumiu.

No mesmo sentido, João Soares defendeu a necessidade de alterar o atual sistema politico dando a eleição de Rui Moreira como exemplo de mudança.

«O surgimento de um movimento cívico deu um sinal muito positivo, resulta no descrédito quase completo do sistema político e de quem tem atividade política permanente», disse.

«Os partidos políticos tiveram o monopólio absoluto na apresentação de candidaturas. Rui Moreira foi particularmente importante para a renovação da nossa vida politica, tem que acontecer qualquer coisa semelhante na Assembleia da República, mas não pode ser numa lógica populista», referiu.

No entanto, reconheceu que essa «coisa semelhante» não será fácil de alcançar.

«A possibilidade de conseguir uma mudança na AR é reduzida» disse, salientando que o confronto interno no PS é o «primeiro sinal» de vontade de mudar.

«Pela primeira vez, com a realização de primárias para escolher o candidato a primeiro-ministro, põe-se em causa aquilo que são os monopólios dos aparelhos partidários», sustentou.

O «modelo» de gestão autárquico, no qual fazem parte do executivo camarário forças da oposição, foi também criticado pelo autarca portuense.

«Não funciona. É um modelo que não faz qualquer sentido e que foi feito pelos partidos para garantir determinados lugares», criticou.

Rui Moreira deixou então uma sugestão.

«O presidente da câmara devia ser aquele que tinha mais votos para a Assembleia Municipal (AM), os membros de governação deveriam ser escolhidos entre os membros da AM e a partir dai governava, a oposição já não estaria representada no Governo, onde apenas pode dizer que não», explicou.