O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, considerou hoje que houve «uma representação dos interesses nacionais perfeitamente digna» na visita da delegação portuguesa a Macau chefiada pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, criticado por atrasos.

Durante a visita a Macau, «houve uma representação dos interesses nacionais perfeitamente digna», disse o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, que respondia ao socialista Paulo Pisco.

O deputado condenou o que disse ser «embaraços» recentes na política externa de Portugal, nomeadamente na relação com Angola e «mais recentemente, com a visita a Macau».

«O senhor vice-primeiro-ministro e o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação [Luís Campos Ferreira] causaram embaraços muito grandes para a nossa imagem externa, o que é inaceitável», afirmou Paulo Pisco no Parlamento.

Paulo Portas foi alvo de críticas devido a um atraso na chegada a uma receção com a comunidade portuguesa no consulado-geral de Portugal em Macau no domingo, que repudiou, afirmando estar a ser alvo de "maledicência" e de ser alheio às causas do atraso.

O secretário de Estado referiu-se à República Popular da China, numa conferência de imprensa, como «República da China», forma como Taiwan, território considerado rebelde, se autointitula, segundo noticiou o jornal local Hoje Macau.

O deputado do PS criticou depois o facto de a tutela da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) ser partilhada entre o ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), o vice-primeiro-ministro e o ministério da Economia.

«É do maior egoísmo que o vice-primeiro tenha levado consigo um dos principais instrumentos da nossa afirmação na diplomacia económica, e deixou o senhor ministro de mãos a abanar num domínio que é tão importante», afirmou Paulo Pisco.

Rui Machete considerou que as críticas dirigidas a Paulo Portas são «sem razão».

«O Governo é uma unidade, não é uma confederação de ministérios e menos ainda um conjunto de pessoas que se digladiam para ter este ou aquele protagonismo. Isso não tem sido verdade e não será, neste Governo», afirmou o ministro.

O governante destacou que a articulação entre o MNE e a AICEP tem sido «verdadeiramente um êxito» para a diplomacia económica.

«Lembro-me de um tempo passado em que havia uma separação claríssima entre a diplomacia e os interesses económicos das empresas. Isso hoje não existe, graças à circunstância de haver uma unidade funcional entre o MNE e a AICEP«, sublinhou, acrescentando que isso se traduz na «forma como as exportações têm vindo a crescer».

Machete anunciou que «só para a semana será publicado o despacho de subdelegação de competências», mas os ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Economia e o vice-primeiro-ministro estão a trabalhar «conjunta e harmoniosamente».

«Não existe menor eficácia da atuação do ministério dos Negócios Estrangeiros por essa circunstância», assegurou.