O dirigente socialista Miguel Laranjeiro sustentou esta terça-feira que, se o primeiro-ministro reiterou a confiança política em Rui Machete, isso significa que está de acordo com a posição assumida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros sobre os juros da dívida.

Miguel Laranjeiro falava aos jornalistas no final de uma reunião com a CGTP-IN, depois de confrontado com a declaração do líder do executivo, Pedro Passos Coelho, em Paris, reiterando a sua confiança política no ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete.

Para Miguel Laranjeiro, se o primeiro-ministro reiterou a confiança política em Rui Machete, «então é porque está de acordo com o que disse o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros» no domingo, durante a sua visita oficial à Índia.

De acordo com o dirigente socialista, na sequência da declaração de Rui Machete sobre a necessidade de Portugal ter uma taxa de juro a dez anos igual ou inferior a 4,5 por cento para evitar um segundo resgate, verifica-se «uma grande desorientação no Governo, já que sobre essa e sobre outras matérias não fala a uma voz».

«De facto, as declarações feitas pelo ministro dos Estrangeiros são absolutamente inaceitáveis e inacreditáveis. O PS já frisou isso», declarou.

Interrogado se o PS já recebeu o convite formal por carta do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, para debater a proposta do executivo de reforma do Estado, Miguel Laranjeiro observou com ironia que «já há alguns dias leu essa notícia».

«Mas até ao momento ainda não nos chegou nada», cita a Lusa.