O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, garantiu hoje à Lusa que Portugal preocupado e acompanha com atenção a situação em Moçambique, que não deve preocupar excessivamente a comunidade portuguesa residente no país.

«Estamos a seguir com muita atenção o problema que se está a desenrolar em Moçambique. Estamos preocupados mas temos esperança que as coisas voltem à normalidade sem que a situação se agrave», disse.

«Penso que a comunidade portuguesa não tem razões para estar excessivamente preocupada. Tem que seguir com atenção o problema, tomar precauções na área que está atingida e mais nada», afirmou.

Rui Machete falava à Lusa à margem do 1º Fórum Económico do Mediterrâneo Ocidental, que decorre hoje na cidade espanhola de Barcelona.

Sobre um eventual papel de Portugal, Machete disse que se trata de um problema interno do país mas que, se for solicitado qualquer apoio por parte do Governo moçambicano, o Governo português analisará a questão.

Entretanto, hoje o Governo espanhol emitiu um comunicado expressando preocupação pelos incidentes da última semana na zona central de Moçambique, apelando a todas as partes «para que mantenham a paz e a estabilidade que caracterizaram o país nas últimas duas décadas».

Espanha, refere o comunicado, «confia em que resolvam as suas diferenças através do diálogo e respeitando as instituições do Estado».

Moçambique vive a sua pior crise política e militar desde a assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP) em 1992, após o exército moçambicano ter desalojado na segunda-feira o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, Afonso Dhlakama, da base onde se encontrava aquartelado há mais de um ano, no centro do país.

Afonso Dhlakama e o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, fugiram para local incerto, enquanto as forças de defesa e segurança moçambicanas mantém a ocupação da residência do líder do movimento, em Sandjunjira, na província de Sofala, e o partido denunciou o acordo de paz assinado em 1992 com a Frelimo.

Em junho último, elementos da Renamo levaram a cabo ataques contra autocarros e camiões na região de Machanga, também no centro de Moçambique, que se saldaram em pelo menos três mortos e seis feridos e que levou o exército a fazer escoltas militares na principal estrada da região.

O partido de Dhlakama reivindicou ainda a morte de 36 militares e polícias das forças de defesa e segurança moçambicanas, a 10 e 11 de agosto, numa «ação de autodefesa», no centro do país, e o líder da Renamo já tinha condicionado as negociações com o Presidente Armando Guebuza à retirada do exército da serra da Gorongosa.