O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, considerou hoje que a eleição de Petro Poroshenko como Presidente da Ucrânia, este domingo, é «uma vitória importante», destacando o seu perfil moderado, afastado da extrema-direita e da Rússia.

As eleições presidenciais, celebradas este domingo na Ucrânia, «deram lugar a uma vitória importante», ao possibilitarem a maioria a um «Presidente moderado, que não pode ser acusado de ser fascista ou de ser da extrema-direita nem de ter simpatias pela Rússia», disse o ministro Rui Machete, que falava num almoço-conferência promovido pelo American Club of Lisbon.

Poroshenko «obteve uma vitória expressiva, incluindo vantagens significativas em várias regiões no leste da Ucrânia», maioritariamente pró-russas.

Por outro lado, o ato eleitoral teve «um resultado positivo» e decorreu de forma «relativamente pacífica», registando-se apenas «alguns conflitos locais», acrescentou.

Na sua intervenção, o ministro considerou que «foram cometidas algumas imprudências» em relação à Rússia, exemplificando que há Estados que dependem total ou quase totalmente do gás produzido ou que atravessa este país.

Se, com Gorbachov, a Rússia «deu sinais de integração progressiva na Europa», depois «começou a afastar-se» e «poucos deram atenção àquilo que significou a subida de Putin ao poder», disse.

A crise na Ucrânia veio alterar profundamente a «perceção que europeus e americanos têm hoje da Rússia», sustentou Rui Machete, que afasta uma reconstituição do cenário da Guerra Fria, «por ausência de ideologias e porque há outras potências», casos da China e da Índia.

Segundo o chefe da diplomacia portuguesa, a Crimeia é hoje considerada, para a Ucrânia, «embora não se diga oficialmente - algo que está perdido».

Neste contexto, a NATO, que estava «relativamente adormecida», acabou por se tornar «uma entidade central, pelo seu dinamismo e por ser a única aliança com capacidade de oferecer alguma segurança aos seus membros», advogou.

A crise desencadeou «um clima completamente novo», ao introduzir «uma instabilidade de fronteiras que não se via há muito tempo e risco de conflitos», referiu ainda.

«A crise ucraniana e a importância da NATO vieram salientar a relevância do papel dos Estados Unidos na defesa da Europa e no reconhecimento de que os EUA poderiam manter a predisposição de considerar que a Rússia era uma potência meramente regional. A Rússia pretende o regresso a um estatuto de uma importância, já não de superpotência - não pode concorrer a esse nível com os Estados Unidos -, mas na sua região, e por ser uma potência nuclear, assume um papel muito importante», considerou.