O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, enviou hoje uma carta de condolências ao seu homólogo do Bangladesh, Abul Hassan Mahmood Ali, «pela perda trágica de vidas humanas» num acidente de ferry ocorrido quinta-feira naquele país.

Em comunicado enviado esta sexta-feira à Lusa, o ministério dos Negócios Estrangeiros indica que «nessa carta, o ministro referiu que foi com grande tristeza que tomou conhecimento do acidente terrível que envolveu um ferry que viajava no rio Meghna, de Daca para o distrito de Shariatpur».

Machete classificou este como «um momento de pesar» e trasmite «condolências pela perda trágica de vidas humanas», desejando «expressar às famílias das vítimas e ao povo do Bangladesh a sua mais profunda solidariedade».

O MV Miraz, que transportava até 200 passageiros, afundou-se na quinta-feira no rio Meghna, no distrito de Munshiganj, a cerca de 50 quilómetros a sul da capital, Daca.

Segundo o mais recente balanço provisório das autoridades locais, o número de mortos subiu para 22, depois de mergulhadores terem hoje resgatado mais 10 cadáveres.

A primeira tentativa para trazer o barco à superfície falhou, tendo as autoridades indicado que se tenta agora arrastar o ferry, que se encontra a 17 metros de profundidade, até à costa, com a ajuda de duas embarcações.

O chefe da autoridade de transportes marítimos, Shamsuddoha Khandaker, disse à agência de notícias francesa, AFP, temer que o número de vítimas mortais venha a aumentar, indicando que até 40 pessoas nadaram até à costa ou foram resgatadas por barcos que pescavam no local depois de o ferry se ter começado a afundar.

Do universo de 22 vítimas mortais, 12 são mulheres e crianças, precisou o mesmo responsável.

A embarcação fazia a ligação entre o distrito de Shariatpur, no sul, e Daca, quando se afundou.

O número exato de passageiros do ferry continua, porém, por determinar, dado que no Bangladesh não são mantidas listas de passageiros e, muitas vezes, são transportadas mais pessoas do que o limite permitido.

As autoridades estimaram inicialmente em 350 o número de pessoas que poderiam estar a bordo do ferry, mas Khandaker diz que o número é inferior.

Foi ordenada a abertura de um inquérito ao acidente, para averiguar se o barco transportava mais do que a sua capacidade ou se existiam falhas estruturais.

Os acidentes de ferry são comuns no Bangladesh, país atravessado por mais de 230 rios.

Tempestades, conhecidas localmente como 'kalboishakhi', atingem frequentemente o país, antes do início do verão e antes da época das monções, que habitualmente começa na primeira semana de junho.