O Governo português está disponível para apoiar as famílias das vítimas da queda do avião das linhas aéreas moçambicanas, na sexta-feira, tendo já disponibilizado ajuda também, se necessária, a Moçambique.

Em declarações à Agência Lusa, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, disse que todas as famílias das seis vítimas portuguesas já foram contactadas, a quem o Governo expressa condolências, o que também já fez junto do ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Oldemiro Baloi.

Um avião das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) despenhou-se na sexta-feira no Parque Nacional de Bwabwata, no norte da Namíbia, e morreram os 27 passageiros e os seis tripulantes.

Na tarde deste sábado, o ministro falou com o seu homólogo moçambicano, Oldemiro Baloi, a quem expressou condolências e se disponibilizou para prestar apoio, e também falou com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola, Georges Chikoti, «expressando também as condolências pelos angolanos que pereceram no acidente».

«Combinámos que prestaríamos, os respetivos governos, o auxílio que for considerado necessário», disse Rui Machete à Lusa.

O ministro esclareceu que todas as famílias dos seis portugueses mortos (todos homens) já foram contactadas e que todas estão em Portugal, e salientou que o Governo e em particular o Ministério dos Negócios Estrangeiros «está à disposição para, logo que se conheça o plano que vai ser estabelecido pelas autoridades da Namíbia, prestar todo o apoio que for considerado necessário».

«Aguardamos indicação do Governo da Namíbia para saber qual o plano em termos de recolha dos cadáveres e naturalmente estaremos a disposição das famílias portuguesas para o que se tornar necessário no que respeita à recuperação e depois ao repatriamento dos corpos», disse Rui Machete, acrescentando ainda que Portugal está disponível para ajudar se para tal for solicitado.

Também o Instituto Nacional da Aviação Civil já entrou em contacto com o seu homólogo moçambicano e disponibilizou os seus serviços, disse o ministro, salientando as naturais dificuldades que vão decorrer da zona de difícil acesso onde caiu o avião.

«Neste momento todos os postos consulares e embaixadas de Portugal em Moçambique, África do Sul, Namíbia e Angola estão em alerta para os serviços que forem necessários», disse Rui Machete.

De acordo com a LAM seguiam no avião 10 moçambicanos, nove angolanos, cinco portugueses, um francês, um brasileiro (também com nacionalidade portuguesa) e um chinês.

Rui Machete admitiu à Lusa que possam existir outros casos de dupla nacionalidade e que a LAM não tenha conhecimento, pelo que pode haver mais cidadãos portugueses envolvidos.

Na sexta-feira, o voo 470 da LAM despenhou-se sexta-feira no Parque Nacional de Bwabwata, no norte na Namíbia, durante um temporal que assolava a região.

Os destroços, carbonizados, só foram detetados já este sábado por avião e as autoridades namibianas já mandaram para a zona meios para averiguar as causas do acidente.

No avião, seguiam 33 pessoas, 27 passageiros e seis tripulantes. Na aeronave seguiam dez moçambicanos, nove angolanos, seis portugueses (um dos quais luso-brasileiro), um francês e um chinês.

Entretanto, foi decidida a criação de uma comissão de inquérito moçambicana do acidente, que contará com elementos da transportadora aérea e do Ministério dos Transportes e Comunicação, e outra internacional liderada pela Namíbia.

A comissão internacional contará com peritos da Namíbia (onde caiu o avião), Moçambique (de onde era a companhia) e Brasil (país de onde é o fabricante, a Embraer).