O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, disse esta terça-feira em Bruxelas que é importante a NATO mostrar, aos aliados a Leste, mas também à Rússia, que está «preparada e vigilante», embora se deva manter o diálogo com Moscovo.

Em declarações à Lusa após a reunião de hoje à tarde dos chefes de diplomacia da Aliança Atlântica, Rui Machete indicou que um dos principais temas em discussão foi o de, a par da necessidade, reconhecida por todos, de «manter o relacionamento político com a Rússia e encontrar soluções políticas para o conflito» com a Ucrânia, serem também tomadas «medidas tranquilizadoras» para os países de Leste da Aliança, mais expostos às ameaças.

«Há medidas que querem dar aos Estados que estão em risco, digamos assim, pela política agressiva que a federação russa tem assumido, a sensação de que a NATO está preparada e vigilante para cumprir a sua missão de defesa», disse, sublinhando que Portugal tem dado o seu contributo nesse sentido e continuará a fazê-lo.


Além do novo «plano de prontidão das forças, que é extremamente importante» para as forças afetas à Aliança «poderem reagir apropriada e rapidamente numa situação que obrigue a isso», o ministro referiu, entre as medidas «que evidenciam aos olhos do exterior a preparação da NATO», as ações de policiamento no Báltico, «que Portugal este ano comandou», as políticas de uma força naval que vai atuar no Atlântico, e cujo comando será assegurado durante um período por Portugal, e exercícios navais, também com a colaboração de Portugal.

«Portugal tem capacidades em zonas específicas e, portanto, pode dar uma contribuição significativa, e tem dado, como é exemplo o policiamento do Báltico por (caças) F-16», referiu, no que classificou como uma «contribuição importante do ponto de vista preventivo».


Segundo Machete, as muitas interceções de aparelhos russos nos céus da Europa num passado recente, e que contaram com o contributo de Portugal, são uma «demonstração de que é necessário estar vigilante para dar a noção à federação russa de que não há espaços vazios e que não pode assumir liberdades indevidas que possam violar o direito internacional ou até colocar situações de insegurança que tenham que ser enfrentadas de outra maneira».

«O diálogo político é muito importante e nós, NATO, vamos mantê-lo», disse, mas também é necessário «um instrumento de contenção das políticas abusivas e violadoras do direito internacional que a Rússia tem praticado», resumiu, manifestando-se esperançado de que tal leve a «modificar a situação da Rússia face à Ucrânia», embora admitindo que este é um processo que ainda levará «o seu tempo».

Hoje haverá ainda um jantar de trabalho dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO – no qual serão servidos vinhos portugueses -, e na quarta-feira Rui Machete participará numa reunião da coligação internacional de combate ao autoproclamado Estado Islâmico, um encontro solicitado pelos Estados Unidos, e que visa abordar os progressos alcançados e coordenar os passos a serem tomados contra esta organização terrorista.