O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Rui Machete, garante que as relações com Angola estão a passar por «um momento alto» e que os «mal entendidos» com Luanda foram ultrapassados.

A posição foi transmitida pelo governante português no aeroporto 04 de Fevereiro, na capital angolana, ao encerrar a visita a Angola, iniciada na segunda-feira, e que envolveu uma audiência com o Presidente da República.

«Eu penso que esses mal entendidos [nas relações entre os dois países] foram muito exagerados, mas estão definitivamente sanados. Aliás, a amabilidade com o que o senhor Presidente José Eduardo dos Santos me recebeu, e a conversa que tivemos, foi claríssima a esse respeito», enfatizou aos jornalistas, antes de regressar a Lisboa.

Rui Machete voltou a referir que, nas palavras do chefe de Estado angolano, «os aspetos menores» das relações bilaterais estão agora «ultrapassados».

«É um novo ciclo que se inicia, muito positivo acho eu. Vou muito satisfeito com a recetividade que tive e as conversas que houve. E penso que do lado de Angola também houve o mesmo sentimento de satisfação. Portanto, estamos a viver um momento alto», rematou o ministro.

Durante esta visita a Angola, o governante português reuniu-se ainda com os ministros das Relações Exteriores, Georges Chikoti, da Economia, Abraão Gourgel, e do Ensino Superior, Adão do Nascimento.

Dos dois dias de reuniões resultam também as preocupações assumidas pelos empresários portugueses em Angola, com os tempos necessários à aprovação de projetos ou concessão de vistos a trabalhadores nacionais.

O maior receio prende-se agora com possíveis atrasos nos pagamentos, face às dificuldades orçamentais de Angola com a forte quebra na cotação internacional do barril de petróleo.

Por outro lado, foi anunciado durante esta visita a realização em Luanda, no primeiro quadrimestre deste ano, de um fórum empresarial bilateral e o lançamento em simultâneo de um observatório das empresas dos dois países.

Paralelamente, os dois governos vão estudar a criação de vistos empresariais, tendo também definido que as reuniões entre a comissão bilateral ministerial terão lugar pelo menos uma vez por ano, para «monitorizar os problemas».