Depois das críticas da oposição, das notícias que davam conta de um incómodo no seio do Governo, e de o primeiro-ministro ter saído em defesa de Rui Machete, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros veio defender-se de viva voz, no Parlamento, esta sexta-feira. Para dizer que não revelou «qualquer informação» concreta sobre os portugueses ligados aos Estado Islâmico. 


A polémica surgiu por causa de uma entrevista do ministro à Rádio Renascença, na qual revelou que há dois ou três casos de cidadãos portugueses que combatem pelo Estado Islâmico que  estão arrependidos e querem voltar

Rui Machete sublinhou que, ao contrário das suas declarações, diversos órgãos de comunicação social têm «revelado nomes, dados pessoais e até fotografias» destas pessoas.

Por outro lado, quis deixar a mensagem de que, «ao aderirem a movimentos terroristas, estes jovens colocam-se a eles próprios em risco e passam a constituir um risco para a nossa sociedade, para a segurança do país, sem margem para qualquer enviesamento ou inversão de valores». «É do conhecimento geral que este problema se restringe a um reduzido número de cidadão - na entrevista, declarara serem entre 12 a 15 cidadãos nacionais.

«Mas, tal como noutros países da coligação internacional promovida pelo Presidente [dos Estados Unidos] Obama, esse facto não impede que se coloquem questões de muito difícil resolução no que respeita à reintegração destes cidadãos na sociedade, uma vez que estará em causa a prática de atos criminosos», sustentou.

Rui Machete referiu ainda que «a abordagem a este tema tem de evidentemente obedecer à necessária discrição» e assegurou que o ministério que dirige, «garantindo a articulação nesta matéria ao nível bilateral e multilateral, através dos canais políticos e diplomáticos, mantém, ao nível interno, uma estreita colaboração e articulação com as autoridades nacionais competentes».

O governante alertou depois para o «poder financeiro» e a 'sofisticação inédita» do recrutamento deste movimento terrorista, «uma ameaça para a qual os responsáveis políticos têm a obrigação de alertar, de dissuadir», o que argumenta ter feito na entrevista à Rádio Renascença.

Machete, que falava perante as bancadas do PSD e do CDS-PP, disse ainda que terá «todo o gosto» em deslocar-se ao Parlamento para falar sobre o assunto.

O PS requereu um agendamento potestativo nesse sentido, com caráter de urgência para ouvir o governante. O ministro promete, na comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, «prestar todos os esclarecimentos que os senhores deputados entendam por bem».  Mostrou-se, ainda, «disponível para que essa audiência possa decorrer à porta aberta».

O ministro aproveitou ainda para elogiar «o trabalho da diplomacia portuguesa» na eleição de Portugal para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, esta terça-feira, e o «acordo decisivo»alcançado hoje para a interligação do país às redes energéticas europeias.