O combate ao extremismo de grupos como o Estado Islâmico deve ser feito com a cooperação dos países islâmicos e dos respetivos líderes religiosos, defendeu esta quinta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros.

«É muito importante ter a colaboração dos países muçulmanos e dos muçulmanos em geral, das autoridades religiosas, para desautorizar, para as pessoas perceberem que esta ação do Estado Islâmico é profundamente ilegítima mesmo numa perspetiva religiosa», disse Rui Machete numa entrevista concedida à Rádio ONU em Nova Iorque, onde participa na 69.ª sessão anual da Assembleia-Geral das Nações Unidas, que decorre até 30 de setembro.

O chefe da diplomacia portuguesa considera que é necessário os países islâmicos procederem a essa desautorização «sobretudo através das lideranças religiosas», para que ela «não apareça como uma espécie de movimento do Ocidente contra o Oriente», cita a Lusa.

Trata-se, frisou, de «um movimento dos povos civilizados e das pessoas que respeitam a dignidade humana e o outro contra aqueles que desrespeitam e são verdadeiramente criminosos e assassinos».

Para o ministro português, «a questão mais importante do combate ao terrorismo, e especificamente ao terrorismo do Estado Islâmico, é conquistar os espíritos para a condenação das ações terroristas e desse projeto imperialista - que é utópico mas comete muitos crimes e cria situações dramáticas em muitos países - de tentar reconstituir um califado, isto é, uma união do poder político e do poder religioso opressiva das pessoas e que não olha a meios para atingir os seus fins».

Na entrevista, o MNE falou também da cooperação de Portugal com a Guiné-Bissau, na altura em que o país retoma as suas relações com a comunidade internacional e os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), após a realização, em julho, de eleições que puseram fim ao regime de transição em vigor desde o golpe de Estado de abril de 2012.

«Nós estamos muito interessados em ajudar a Guiné-Bissau a reintegrar o grupo dos países democráticos e, nesse aspeto, é muito importante que esta Assembleia-Geral possa dar um sinal claro nesse sentido», sublinhou.

Rui Machete comentou ainda a esperança que Portugal tem de integrar o Conselho de Direitos Humanos, lugar a que é candidato nas próximas eleições e para o qual não enfrenta concorrentes no grupo.

«Nós não somos um grande país em termos de dimensões territoriais, mas temos uma experiência interessante em termos da nossa constituição, nesse capítulo, e desejamos fazer um esforço para conseguir, pelo exemplo, pela persuasão e até pela pedagogia, obter resultados importantes» nessa matéria, sustentou o ministro.