O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e ex-líder do PSD, Rui Machete, destacou esta sexta-feira a «confiança» e a «esperança» presentes na moção global apresentada pelo presidente, Passos Coelho, na abertura do XXXV Congresso do PSD, em Lisboa.

«Confiança e esperança», resumiu, assumindo que os portugueses em geral «vão apreender certamente» aquela mensagem e desvalorizando a ausência de outros antigos presidentes sociais-democratas.

Machete declarou ainda ter-se tratado de «um discurso que sintetizou bem o passado e deu perspetivas para o futuro», «bom».

Por seu turno, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, também presente no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, recusou tecer quaisquer comentários sobre o discurso do líder do executivo da maioria PSD/CDS-PP.

Rangel admite «outras medidas» sem «agravar o sacrifício»

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel reconheceu a necessidade de outras medidas para manter «a disciplina orçamental» sem que as mesmas signifiquem «que agora se vá agravar o sacrifício que existe».

«Nós vamos ter que manter a disciplina orçamental. Haverá sempre outras medidas, mas isso não quer dizer que agora se vá agravar o sacrifício que existe», afirmou aos jornalistas, após o discurso de abertura do presidente, Pedro Passos Coelho, atual primeiro-ministro, cujas palavras considerou «muito esclarecedoras sobre a matriz social-democrata do partido».

Rangel considerou que Portugal «está melhor do que em 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013» e que «os portugueses percebem que está melhor».

«O primeiro-ministro tem dito sempre que o caminho que percorremos foi muito duro e cumprimentou os portugueses pela forma como têm vivido estes momentos. Evidentemente, houve mudanças», continuou, salientando que, «de 2011 para cá, a distribuição dos sacrifícios tem sido progressivamente mais equitativa».

O deputado social-democrata no Parlamento Europeu, que recusou falar sobre a hipótese de vir a ser novamente o cabeça-de-lista nas eleições de 25 de maio, defendeu que «não há Estado Social se não houver dinheiro para o pagar».

«A alternativa que tínhamos era a bancarrota, com isso não estaríamos a pagar aos funcionários públicos nem aos pensionistas», completou.

Montenegro rejeita rótulo neoliberal, mas sem «dar tudo a toda a gente»

O líder do grupo parlamentar do PSD rejeitou o rótulo neoliberal imposto ao partido, após o discurso inaugural do presidente.

Luís Montenegro reconheceu o fomento do executivo de maioria PSD/CDS-PP à iniciativa privada, mas realçou que os responsáveis governamentais não negligenciam o Estado Social e sua forma de financiamento, embora sem «dar tudo ou prometendo dar tudo a toda a gente».

«[Passos Coelho] Desfez alguns dos principais equívocos do debate político português, nomeadamente a relação entre a nossa intervenção e a nossa matriz ideológica. Realçou uma preocupação social-democrata que tem marcado muito da ação do Governo por mais que nos queriam colar outras etiquetas, de uma postura neoliberal», afirmou.

Segundo o deputado do PSD, a ação governativa tem-se pautado por «fomentar a iniciativa privada e a oportunidade de as pessoas poderem gerar os seus negócios na economia e não estarem dependentes da ação económica do Estado, mas, ao mesmo tempo, garantir o Estado Social».

«O Estado Social garante-se, às vezes, procedendo-se a ajustamentos, reequilíbrios, que podem até custar no imediato, mas que garantem a sua sustentabilidade futura. E não dando tudo a toda a gente ou prometendo dar tudo a toda a gente, hipotecando o Estado Social», disse.