O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, considerou esta terça-feira absurdo comparar a situação de Portugal com a da Grécia, mas fez votos de que aquele país se mantenha no euro, apesar do «início pouco auspicioso» do novo governo.

«Será absurdo comparar a situação de Portugal, que já pode gerir a sua dívida pública em condições de mercado - continuando todavia a estar atento a soluções institucionais que facilitem a gestão da sua dívida - com a situação que se vive atualmente na Grécia», considerou o governante, durante uma audição pela comissão parlamentar de Assuntos Europeus.

Rui Machete disse que o novo governo grego, saído das eleições do passado dia 25 de janeiro, «começou com uma posição de grande radicalismo», e - elencando várias medidas anunciadas logo a seguir à posse do executivo, entre as quais o aumento do salário mínimo no setor privado, a revogação da lei sobre despedimentos no privado e de funcionários públicos ou o congelamento de privatizações - concluiu que «não foi um início auspicioso».

No entanto, o chefe da diplomacia portuguesa salientou, por diversas vezes nas suas intervenções, que o Governo faz votos de que a Grécia se possa manter no euro e que as regras da moeda única sejam preservadas.

«É melhor para os interesses do euro, do sistema financeiro e da União Europeia se a Grécia se mantiver no euro», considerou.

Atualmente, há um processo negocial e, aí, Portugal senta-se, «em princípio, do outro lado da mesa das negociações», afirmou Rui Machete, que justificou que esta «parece ser a posição correta inicial, mas isso não significa desatenção ou desconsideração» relativamente à Grécia.

«A ideia de que o Governo se encontra distraído ou tem qualquer parti pris no sentido de preferir que a solução fosse a exclusão da Grécia é inteiramente infundamentada», disse.

Nestas negociações, a Grécia «tem evoluído muito rapidamente e tem tido posições que se alteram, o que não é ilegítimo», mas «é difícil formular um juízo seguro sobre como o processo irá acabar», disse.

Rui Machete mencionou que, ao longo dos tempos, assistiu-se a «falcatruas» na contabilidade pública daquele país: «Não podemos olhar para os gregos como os inocentes e os coitadinhos da História, visto que globalmente eles têm uma responsabilidade coletiva importante», sustentou, recordando que «metade da população não paga impostos».