O ministro dos Negócios Estrangeiros assegurou hoje que Portugal tem como prioridade «definir e executar uma estratégia abrangente», numa referência à base militar das Lajes e à recente «decisão negativa» do Senado norte-americano.

Uma emenda aprovada no Congresso norte-americano, que adiava a redução da estrutura militar da Base das Lajes em 2014, desapareceu do diploma que será discutido pelo Senado a partir da próxima terça-feira, alertou na quinta-feira em Washington uma associação de lusodescendentes.

Machete, prometeu empenho na gestão deste dossier, e numa referência à National Defence Authorization Act, o diploma legislativo que define o orçamento de Defesa norte-americano para 2014, o governante confirmou que na quinta-feira foi conhecida a versão do Senado deste diploma.

«Embora não inclua referências às Lajes nos moldes da emenda aprovada na Câmara dos Representantes [que prevê o prosseguimento nas atividades em 2014 sem reduções drásticas de pessoal], e que causou alguma preocupação, devo sublinhar que esse processo ainda não está terminado», assegurou na Assembleia da República no decurso de uma audição conjunta das comissões de Orçamento e Finanças, de Negócios Estrangeiros e de Assuntos Europeus, a propósito do Orçamento do Estado para 2014.

O chefe da diplomacia esclareceu ainda que a fase de debate, em plenário, no Senado norte-americano, poderá prosseguir em novembro, e garantiu que caso de mantenham as «disparidades» entre as versões resoluções aprovadas pela Câmara dos Representante e pelo Senado, o processo não ficará concluído.

«Haverá ainda lugar a um processo de conciliação entre os dois órgãos, que se deverá realizar até ao final do ano antes do envio da lei para ratificação presidencial. Temos de fazer todos os esforços para que esta conciliação, pelo menos nesta última fase, se realize», disse.

Na perspetiva do ministro, «ainda é cedo» para afirmar que as emendas sobre as Lajes, da autoria da Câmara dos Representantes e que favorecem os interesses de Portugal, não conste da versão final da lei.

«Aquilo que elabora o Senado e a Câmara dos Representantes são processos autónomos e daí as dificuldades em que nos encontramos», adiantou, antes de se referir a um «processo de política interna que não controlamos».

Machete aproveitou ainda para sublinhar «com agrado» a importância que a questão das Lajes assume para vários decisores americanos, e reconheceu por fim «os esforços que de algum modo o "lobbie" luso-americano tem desempenhado».

«Já teve êxito na Câmara dos Representantes, esperemos que tenha êxito no Senado», concluiu.