A indústria do calçado nacional tem tido «um papel crucial no combate ao desemprego», o que, «por si só», não resolve «o problema», mas é «uma contribuição muito relevante», disse este domingo o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete.

De visita à feira internacional de calçado de Milão (MICAM), que hoje abriu portas na cidade italiana, Rui Machete visitou alguns dos expositores das 86 empresas portuguesas, representando mais de uma centena de marcas, presentes na maior feira do setor.

Nas conversas com os empresários nacionais, Rui Machete ouviu falar, quase sempre com sotaque nortenho, de novas gerações que seguem os passos de gerações anteriores e de novas linhas de empresas antigas desenhadas para conquistar outros mercados, mas também de desemprego, de emigração forçada, de difíceis condições de vida.

Reconhecendo que a indústria do calçado está concentrada «em zonas onde não há muito emprego», do Interior e do Norte do país, o chefe da diplomacia destacou, por isso, o «papel crucial» que o setor tem tido «no combate ao desemprego», ainda que, «por si só», não possa resolver «um problema grave».

Segundo dados da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), no final de 2013, o setor português de calçado empregava 35.044 colaboradores, mais 420 do que no ano anterior, sendo que mais de 600 novos postos de trabalho foram criados já este ano.

«Evidentemente que só este setor não pode revolucionar a economia portuguesa, mas dá uma contribuição muito importante, pelo seu exemplo» e pelos 1.700 milhões de euros anuais que representa em exportações, frisou Rui Machete.

Aos empresários com quem falou, o ministro perguntou sobre os mercados para onde exportam e a todos desejou boa sorte. «Nenhum deles se manifestou cético em relação à indústria», mas sim «orgulho», transmitiu aos jornalistas que o acompanharam na visita à feira.

«Têm, mesmo este ano, crescido, têm conquistado novos mercados, têm planos para conquistar novos mercados» e, além disso, «propiciam emprego» e «querem dar mais» postos de trabalho, apontou.

Rui Machete considerou ainda a relação entre a indústria e inovação, propiciada pelas universidades portuguesas, aspeto que, «até há uns anos, era muito desprezado», como «absolutamente essencial» e com «resultados extremamente vantajosos».

Por isso, Rui Machete sairá hoje da MICAM «com confiança no futuro», através de um setor que serve de «exemplo», por ter sabido «caminhar a pouco e pouco para construir uma indústria de verdadeiro sucesso».

Mesmo assim, ainda há espaço para melhorar. «Têm que fazer alguma coisa para conquistar o mercado nacional e os consumidores portugueses», sugeriu o ministro, que, nas palavras dirigidas aos organizadores da feira, na sessão de abertura, convidou todos a experimentarem os «sexy» sapatos portugueses, lema que a indústria nacional escolheu para a MICAM.

Porém, alertou o ministro, «uma coisa puxa a outra» e atrair os portugueses não impede que se continue a conquistar «os pés de mais estrangeiros». Calçado com sapatos portugueses, o ministro reconheceu que, num mercado com um volume de exportações na ordem dos 95 por cento do que produz, poucos produtos acabam por chegar ao mercado nacional.

A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), braço da diplomacia económica, «tem de prosseguir e intensificar» as suas funções de «abrir portas, ajudar as empresas, descobrir oportunidades», referiu o ministro.

De expositor em expositor, Rui Machete foi promovendo um mercado em particular, o da Coreia do Sul, país com «grande simpatia por Portugal» (que visitou recentemente) e com «50 milhões de consumidores, que têm dinheiro e que gostam de gastar e comprar».

A feira de calçado internacional de Milão, a maior do mundo, decorre até quarta-feira.