O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou, esta terça-feira, que o Governo está a ponderar «os prós e contras» das possibilidades de saída do programa de ajustamento e que «brevemente» anunciará e justificará a decisão.

«Estão a ser examinadas as diversas hipóteses e a ser ponderados os prós e os contras. Oportunamente e brevemente o Governo terá uma posição e justificá-la-á», disse o governante, em resposta a uma questão do deputado bloquista Pedro Filipe Soares, durante uma audição na comissão parlamentar de Assuntos Europeus.

«Não vou avançar uma solução, que será a minha opinião ainda antes de essa discussão se realizar», afirmou.

Rui Machete acrescentou, durante a audição, que o Executivo «tem estado a examinar o problema da saída limpa ou não limpa» e «ainda não tomou uma decisão definitiva».

A decisão passará, referiu, por uma «comparação entre as vantagens e os inconvenientes das duas soluções», considerando ser «um bocadinho simplista falar numa saída limpa e numa saída suja, porque há várias hipóteses».

Segundo o ministro, «a questão básica é a de saber se a solução tem suficiente estabilidade para, perante a eventual fragilidade dos mercados, encontrar soluções de defesa», caso em que «o problema da solidariedade europeia pode ser extremamente importante, mesmo que ela não se firme em tratados».

A opção, acrescentou, «vai depender do cotejo entre o que nos é oferecido por uma saída sem condicionalidade - ou com uma condicionalidade que é apenas a que resultar de imprevistos em que a solidariedade funcione -, sem a garantia de instrumentos escritos, e uma saída que esteja regulamentada, mas que tem custos diversos consoante a condicionalidade que existir».