Os chefes da diplomacia europeia, reunidos este sábado em Milão, saudaram o cessar-fogo entre israelitas e palestinianos, mas reafirmaram que a resolução do conflito passa pela «solução dos dois Estados», disse o ministro português.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, disse à Lusa que o conflito israelo-palestiniano e a situação na Faixa de Gaza dominaram os trabalhos do último dia da reunião informal de chefes da diplomacia da União Europeia (UE), que decorreu naquela cidade italiana.

Se, por um lado, todos os Estados-membros exprimiram «uma satisfação grande com o cessar-fogo assinado na passada semana», entre Israel e a Palestina, por outro, sublinharam o caráter «instrumental» dessa medida, adiantou o ministro.

«O que é essencial é que se consiga, através do cessar-fogo e de outras medidas», chegar à «solução dos dois Estados» independentes, destacou Machete.

Para tal, é necessário «que se evitem medidas como as construções na zona reservada ao Estado palestiniano», apontou o ministro, referindo-se aos colonatos que Israel continua a erguer em território vizinho.

«Os dois povos estão cansados da guerra», o que acarreta «duas consequências» antagónicas, alerta Machete, concretizando: se, por um lado, pode existir «uma situação psicologicamente mais favorável à paz», por outro, o atual cenário de negociações «contribui para a radicalização dos povos», criando «uma dificuldade suplementar».

Os chefes da diplomacia da UE fizeram «referência muito frequente» às inúmeras tentativas feitas, no passado, para tentar pôr fim ao conflito israelo-palestiniano, nenhuma das quais bem sucedida, mas agora há um dado novo, sublinhou Machete, referindo-se ao «papel desempenhado» pelo Egito, que «voltou a ter uma voz ativa e interveniente» e «contribuiu decisivamente» para o cessar-fogo assinado na terça-feira.

Depois de 50 dias de conflito, com mais de dois mil mortos do lado palestiniano e 68 do lado israelita, e difíceis negociações, as duas partes concordaram com um acordo mediado pelo Egito, que prevê «a continuação das negociações indiretas».

O movimento palestiniano Hamas, que controla a Faixa de Gaza, porém, já rejeitou desarmar os seus combatentes, uma das exigências de Israel para assumir um acordo a longo prazo.