O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, afirmou esta segunda-feira que a reabertura das embaixadas dos Estados Unidos e de Cuba em Havana e Washington é “uma manifestação de paz” que deve ser “celebrada”.

“É, do ponto de vista histórico, significativo, porque acaba com um conflito que durava há 50 anos e que já não tinha razão de ser. Todas as manifestações de paz devem ser celebradas, e esta é manifestamente um delas”, comentou Rui Machete, à saída de uma reunião dos chefes de diplomacia da União Europeia, em Bruxelas.


A bandeira cubana foi esta segunda-feira içada no Departamento de Estado norte-americano, num gesto histórico que marca a renovação dos laços diplomáticos entre Havana e Washington e a abertura das embaixadas nas duas capitais, após 54 anos.

As relações diplomáticas foram retomadas oficialmente às 00:00 desta segunda-feira.

O restabelecimento oficial das relações diplomáticas entre os dois países, após mais de meio século de tensões herdadas da Guerra Fria, marca o fim da primeira fase desse processo iniciado a 17 de dezembro de 2014, mas o Presidente cubano, Raúl Castro, insiste em que as relações bilaterais só serão normalizadas quando o seu homólogo norte-americano, Barack Obama, utilizar os seus “poderes executivos” para pôr fim ao embargo imposto à ilha em 1962.

A reabertura de embaixadas segue-se ao anúncio histórico, em dezembro, de uma reaproximação entre estes dois países, após mais de cinco décadas de hostilidade e desconfiança.
 

Machete também saudou o "acordo nuclear"


O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, considerou também que o acordo sobre o programa nuclear iraniano é “dos aspetos mais significativos das últimas décadas” e desafiou os críticos a explicarem que cenário seria preferível.


“Os críticos do acordo têm que explicar por que é que um não acordo seria melhor, visto que, com toda a probabilidade, isso iria conduzir, ao longo dos anos, a uma guerra quase inevitável, quando o Irão tivesse a posse da bomba nuclear. Portanto, esta solução, que aliás a mim me parece boa, seria necessariamente melhor em comparação com um problema bélico que nós desejaríamos todos evitar”, disse.


Comentando que o acordo “evita uma proliferação do armamento nuclear”, Rui Machete apontou que Portugal e os seus parceiros europeus consideram que o acordo “foi um resultado extremamente importante”, que abre também “um caminho de esperança para as relações entre o Irão e países do Médio Oriente”, embora admitindo que numa perspetiva de futuro, “e não imediatamente, pois as coisas não estão ainda amadurecidas”, cita a Lusa.

O acordo histórico com Teerão foi concluído na passada terça-feira, em Viena, pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido) e a Alemanha.

No documento prevê-se a suspensão progressiva e condicional das sanções, em troca de garantias de que Teerão não fabricará armas atómicas.