O combate à «ameaça global» colocada pelo grupo Estado Islâmico dominou o encontro de hoje em Lisboa entre o chefe da diplomacia portuguesa, Rui Machete, e o enviado norte-americano para a coligação internacional, general John Allen.

No encontro entre Rui Machete e o general John Allen foram analisadas «as melhores formas de combater esta ameaça global, tendo sido feito um ponto de situação sobre a campanha militar em curso e as perspetivas da sua evolução nos diferentes cenários de operações», indica um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) enviado à Lusa.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português fez-se acompanhar na reunião pelo ministro da Defesa, José Pedro Aguiar Branco, da Administração Interna, Anabela Rodrigues, e da Justiça, Paula Teixeira da Cruz. O enviado especial adjunto norte-americano, embaixador Brett McGurk, também participou no encontro.

A necessidade de prosseguir «o trabalho de identificação e eliminação das fontes de financiamento do terrorismo (por exemplo, contas bancárias e fundos obtidos a partir do comércio ilegal de petróleo ou do tráfico de seres humanos)» e a «importância de uma estratégia que contrarie a proliferação da mensagem do autoproclamado» Estado Islâmico (EI), foram outros aspetos discutidos na reunião.

«Esta estratégia, em que assume particular importância o contributo e a ação dos países muçulmanos, deverá ser desenvolvida através da promoção de um combate ideológico em defesa dos direitos humanos, dos valores democráticos, da liberdade e da tolerância. Portugal tem-se empenhado particularmente neste combate», precisa o comunicado.


O MNE recorda que o Governo declarou «desde o início» a sua adesão à Coligação Internacional contra o EI e «tem colaborado na luta contra este grupo terrorista, nos domínios político, diplomático e militar, designadamente nas Nações Unidas, na União Europeia e na NATO».

O comunicado sublinha ainda a participação «ativa» do Executivo em dois grupos de trabalho, sobre a ação militar e a questão dos combatentes estrangeiros, que promoveu a sua primeira reunião na Turquia em 07 de abril.

Numa referência específica aos combatentes estrangeiros que têm reforçado as fileiras «jihadistas», o comunicado salienta a necessidade de analisar a questão «numa perspetiva de longo prazo e a problemática do regresso destes combatentes aos seus países de origem».

No âmbito da participação de Portugal na coligação internacional, foi ainda assinalada a «contribuição financeira portuguesa para o trabalho humanitário do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados de apoio às populações das zonas mais diretamente afetadas pelos confrontos, e que totalizou 230 mil euros no decurso de 2014».

No campo militar, a parte norte-americana destacou «a participação de Portugal na formação e treino das forças armadas iraquianas, numa operação conjunta com os Estados Unidos da América e Espanha».

O comunicado do MNE sublinha ainda que durante este encontro o Governo português voltou a sublinhar «o seu empenhamento na prevenção e luta contra todas as formas de terrorismo, destacando-se, a esse nível, a recente aprovação da Estratégia Nacional de Combate ao Terrorismo».

Os responsáveis governamentais recordaram por fim os «recentes crimes de terrorismo que se têm sucedido contra as populações da Tunísia, Líbia, Quénia ou Egito» e reiteraram a «forte condenação das violações e dos abusos de direitos humanos, em particular os perpetrados contra os grupos mais vulneráveis: religiosos e étnicos, as mulheres e as crianças».