O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu este sábado em Sesimbra que é necessário apurar as circunstâncias em que ocorreu o roubo de material militar em Tancos e retirar as devidas consequências políticas. Os comunistas consideram que se trata de um caso de "extrema gravidade".

O PCP não pode deixar de considerar o assalto a um paiol militar em Tancos como um caso de extrema gravidade e a necessitar de todo o apuramento, incluindo a retirada de consequências", disse Jerónimo de Sousa, num encontro de apresentação de candidatos às eleições autárquicas, na Quinta do Conde, em Sesimbra.

"A existência de um sistema de videovigilância inoperacional há dois anos, segundo notícias vindas a público, é revelador do estado de degradação a que as opções políticas dos sucessivos Governos, e de forma mais violenta no anterior Governo PSD/CDS-PP, conduziram as Forças Armadas", acrescentou.

Para o líder comunista, que falava perante cerca de duas centenas de apoiantes da CDU, as opções dos sucessivos Governos do país têm conduzido a "uma degradação no plano material e no plano pessoal dos direitos dos militares, esquecendo - como a constituição afirma - que as Forças Armadas devem ser dignificadas” porque são o garante da independência e soberania nacionais.

Já o Bloco de Esquerda confirmou que irá viabilizar a audição do ministro da Defesa no Parlamento, já pedida pelo PSD e CDS-PP. Em declarações aos jornalistas à margem da Mesa Nacional do BE, o deputado João Vasconcelos recordou que o partido já apresentou na sexta-feira um requerimento para solicitar esclarecimentos ao Governo.

"Nós consideramos que a situação é bastante grave, por isso solicitámos esclarecimentos ao Governo para apurar todas as responsabilidades, que medidas o Governo irá tomar e para saber se o sistema de vigilância se encontrava efetivamente avariado", afirmou.

Questionado se, além da responsabilidade política já assumida pelo ministro da Defesa Azeredo Lopes, o BE defende, para já, mais consequências políticas, o deputado salientou que estão a decorrer inquéritos, nomeadamente da Polícia Judiciária Militar, e remeteu mais perguntas para a audição parlamentar.

"Vamos aguardar tranquilamente a vinda do senhor ministro e aí colocaremos todas as questões, como penso que todas as outras forças políticas irão colocar", disse.

Este sábado, o chefe do Estado-Maior do Exército admitiu que terá havido uma fuga de informação, frisando que os planos de segurança e vigilância foram cumpridos.

O ministro da Defesa assumiu a "responsabilidade política" pelo roubo.