A lista do BE candidata às regionais da Madeira passou esta segunda-feira por diferentes concelhos para dizer às populações que «não vale a pena apostar novamente numa maioria parlamentar» do PSD, partido que «atirou a autonomia para o lixo».

À tarde, junto à Marginal do Funchal, onde a equipa esteve a distribuir material de campanha, o cabeça de lista, Roberto Almada, reiterou críticas ao partido que governa o arquipélago há quase quatro décadas com maioria absoluta e que, no seu entender, criou uma situação de «insolvência da autonomia» regional ao submeter os madeirenses a um «duplo programa de austeridade».

«O PSD é o partido responsável pelo facto de se ter atirado a autonomia para o caixote do lixo, quando Alberto João Jardim e Pedro Passos Coelho assinaram um programa de resgate», afirmou à Lusa, referindo-se ao plano de ajustamento financeiro aplicado à região, que motivou, entre outras consequências, o aumento dos impostos.

Roberto Almada lamentou que, com o programa acordado entre o presidente cessante do executivo madeirense e o primeiro-ministro, fosse abandonada a possibilidade de a região ter impostos 30% mais baixos para «compensar os custos da insularidade».

Pelo contrário, apontou, gerou-se mais desemprego, falências de empresas e graves problemas sociais. No seu entender, é preciso, por exemplo, cobrar «impostos sobre as grandes fortunas», renegociar as parcerias público-privadas, sobretudo ao nível das estradas, e acabar com «outros sorvedouros de dinheiro público».

O Bloco de Esquerda (BE) entende, por isso, que é preciso ter no parlamento regional forças políticas que terão de fiscalizar o próximo executivo e apresentar propostas concretas.

A candidatura acredita num regresso do partido à Assembleia Legislativa, depois de os madeirenses terem perdido «uma voz que os defendia», mas que, ainda assim, esteve «sempre junto» da região.

A deslocação de algumas figuras nacionais do Bloco ao arquipélago nesta campanha - às quais se somará ainda a da porta-voz, Catarina Martins - é apontada por Roberto Almada como mais um sinal da união na construção de uma alternativa política.

Foram admitidas às eleições legislativas da Madeira de 29 de março 11 listas, sendo oito partidos (PSD, CDS, BE, JPP, PNR, MAS, PND e PCTP/MRPP) e três coligações - Mudança (PS/PTP/MPT/PAN), CDU (PCP/PEV) e Plataforma de Cidadãos «Nós Conseguimos» (PPM/PDA).