O social-democrata Ricardo Oliveira Figueiredo renunciou esta segunda-feira ao cargo de presidente da Câmara de S. João da Madeira, no que foi acompanhado pelos restantes vereadores do PSD e demais elementos da lista daquele partido às autárquicas de 2013.

A decisão, anunciada esta manhã, surge na sequência do que o autarca cessante classifica como uma "coligação negativa de bloqueio à Câmara e à cidade" por parte da oposição, que está em maioria no executivo camarário e que é constituída por três vereadores do PS e um independente do movimento SJM Sempre.

Ricardo Oliveira Figueiredo defende que, ao longo dos últimos dois anos de gestão, aquelas forças políticas revelaram "não buscar o entendimento".

Sublinha ainda que a situação se agravou na semana passada com o “chumbo”, em reunião de Câmara, de 22 projetos de investimento já aprovados na Assembleia Municipal deste concelho do distrito de Aveiro.

Ricardo Oliveira Figueiredo já anunciou que será recandidato nas eleições intercalares, defendendo que é essa a solução para evitar a "paralisia" da cidade.

Ricardo Oliveira Figueiredo afirmou em conferência de imprensa que os "bloqueios sucessivos" por parte da maioria PS e movimento SJM Sempre "configuram uma estratégia deliberada e persistente para paralisar a Câmara", o que reflete "uma situação nunca vista, grave e anómala" na história do concelho.

"O que se verificou nestes dois anos é que, ao contrário do que é normal, em vez de reclamar que se faça mais, a oposição pura e simplesmente não deixa fazer e parece que não gosta quando as coisas correm bem", declarou o autarca eleito pelo PSD.


"A cidade não pode estar refém de quem é contra a natureza empreendedora e inconformada dos são-joanenses e recusamo-nos a assistir passivamente à paralisia a que esta oposição quer condenar S. João da Madeira", acrescentou.

Ricardo Oliveira Figueiredo revelou que para tomada dessa decisão auscultou "a cidade, os cidadãos, as associações e as instituições locais", pelo que, na sua renúncia ao cargo, é acompanhado pelos dois outros vereadores do Executivo PSD e pelos restantes elementos da lista que em 2013 se candidatou à Câmara.

Essa renúncia será oficializada burocraticamente na próxima quarta-feira, após o que caberá à Secretaria de Estado da Administração Local definir a data para novas eleições locais, em que o presidente cessante já assumiu que será novamente cabeça-de-lista pelo PSD.

"Queremos renovar a nossa legitimidade democrática e criar condições para ir em frente, com uma maioria para podermos governar e fazer S. João avançar", revelou. "Não podemos perder mais nenhuma oportunidade", realçou.

É com essa maioria que Ricardo Oliveira Figueiredo se propõe "revitalizar o centro da cidade, continuar a renovar o parque industrial da Oliva, reforçar o apoio social, investir no desporto e dinamizar a economia e o emprego".

O autarca cessante admite que, em dois anos de mandato, a Câmara deste município do distrito de Aveiro investiu 12 milhões de euros em projetos como a requalificação de prédios de habitação social, a afirmação da Casa da Criatividade, a construção do novo edifício da Sanjotec e a conclusão da ampliação da Zoa Industrial das Travessa.

"Mas isso só foi possível porque nada disso necessitou de deliberação de Câmara", realçou. "Se tivesse necessitado, teria sido bloqueado", garantiu.