A aliança da esquerda para a formação do próximo Governo é uma hipótese que, a esta altura, parece estar a ganhar terreno para resolver o impasse político atual. Esta terça-feira o PCP voltou a reiterar a intenção de viabilizar a formação de um Governo socialista, afastando a coligação PSD/CDS-PP do poder, depois de uma reunião de trabalho com os socialistas. Isto no mesmo dia em que António Costa, em entrevista à Reuters, afirmou que o PS está em "melhor posição do que a direita" para formar Governo.

Num encontro ao princípio da tarde, no parlamento, delegações do PCP e do PS voltaram a debater as opções até à mesma altura em que os dirigentes da Portugal à Frente, os ainda responsáveis governamentais Passos Coelho e Paulo Portas, entraram na sede socialista do largo do Rato para um segundo encontro com o secretário-geral do PS, António Costa, e outros dirigentes. 

"O PS tem condições para formar Governo, apresentar programa e entrar em funções. Quanto aos desenvolvimentos futuros, eles resultarão da identificação da política que for possível fazer. Como sempre, quer esse Governo, quer os trabalhadores e o povo, em particular, poderão contar com a nossa ativa participação para assegurar todas as medidas que correspondam aos direitos, interesses, rendimentos, salários dos trabalhadores, reformados. Tudo o que não corresponda, contarão com a oposição do PCP", disse Jorge Cordeiro, da comissão política do comité central comunista.


Além de Cordeiro, o PCP foi representado pelo líder parlamentar, João Oliveira, e por outro membro da direção do partido, Vasco Cardoso, enquanto os socialistas, que vão encontrar-se quarta-feira com BE e com "Os Verdes", apresentaram-se com o economista Mário Centeno, o deputado Pedro Nuno Santos e o antigo administrador do Hospital Santa Maria Adalberto Campos Fernandes. 

Jorge Cordeiro sublinhou, porém, que o PCP entra nestas negociações sem ilusões sobre a dificuldade de convergência de políticas.

"Da nossa parte, não iludimos, haverá dificuldades. Partimos de pontos diferentes, muito diferentes, mas isso não nos leva a prescindir da nossa determinação e insistência para serem encontradas as respostas", disse o responsável do PCP, confirmando não estarem agendadas mais reuniões.


Segundo Jorge Cordeiro, "havendo possibilidades de soluções governativas diferentes daquelas que resultariam da reedição PSD/CDS-PP", o PCP procurará "que elas sejam exploradas, particularmente no plano da política, no plano da aferição da política, soluções que correspondam às principais aspirações dos trabalhadores portugueses".

Entretanto, em entrevista à agência Reuters, divulgada esta terça-feira, Costa afirmou que o seu partido está "melhor posicionado para formar Governo", sem representar um "risco para as regras europeias".