Nada a ver com as legislativas em 2015 (que perdeu). E melhor do que nas autárquicas em 2013 (que ganhou). O PS de António Costa conseguiu nas eleições deste domingo não só alcançar os seus objetivos como bater um recorde, ao conquistar mais de metade das 308 câmaras: venceu na maioria dos principais centros urbanos, conseguiu muitas maiorias absolutas e aumentou o número de votos, que se traduziram, ainda, em mais nove câmaras que há quatro anos.

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Os socialistas garantiram a conquista de 159 autarquias com 37,82% dos votos, o dobro das do PSD (79), que perdeu sete câmaras relativamente a 2013. O PS alcançou 142 maiorias absolutas e os social-democratas 74. 

Em eleições autárquicas, o PS teve a maior vitória eleitoral de toda a sua história", sublinhou ontem à noite um António Costa visivelmente satisfeito.

O partido laranja não foi, porém, o único a viver uma noite trágica como não havia memória, com algumas figuras políticas nacionais, como Manuela Ferreira Leite, a manifestarem-se chocadas e a pedirem a demissão de Passos Coelho. Também a CDU ficou com menos dez câmaras, nove delas perdidas para o PS e uma para independentes. O CDS-PP surgiu como segunda força em Lisboa, com um total nacional de seis autarquias mais 15 em coligação. O BE não conquistou qualquer câmara.

Contas feitas, a abstenção caiu de 47,4% nas últimas autárquicas para 45,03%.

Resultados finais

Lista % Votos Presidentes da Câmara Maiorias Absolutas
PS 37,82 1.956.703 159 142 952
PPD/PSD 16,07 831.551 79 74 493
PCP-PEV 9,46 489.189 24 18 171
PPD/PSD.CDS-PP 8,78 454.290 16 15 169
GRUPO CIDADÃOS 6,79 351.327 17 13 130
B.E. 3,29 170.027 0 0 12
CDS-PP 2,60 134.311 6 5 41
PPD/PSD.CDS-PP.MPT.PPM 1,71 88.541 1 1 23
PPD/PSD.CDS-PP.PPM 1,45 75.166 2 2 15
CDS-PP.MPT.PPM 1,11 57.539 0 0 4
PAN 1,08 55.900 0 0 0
PPD/PSD.PPM 0,91 46.822 0 0 8
PPD/PSD.CDS-PP.MPT.PPM.PPV/DC 0,70 36.452 0 0 5
PS-JPP 0,46 23.634 0 0 5
PS-BE-JPP-PDR-NC 0,46 23.577 1 1 6
PPD/PSD.MPT 0,38 19.556 0 0 5
L-PS 0,32 16.409 1 1 5
JPP 0,29 14.818 1 1 6
NC 0,24 12.495 1 1 5
PCTP/MRPP 0,24 12.394 0 0 0
PPD/PSD.CDS-PP.MPT 0,23 12.140 0 0 7
CDS-PP.PPM 0,20 10.286 0 0 4
PTP 0,11 5.683 0 0 0
CDS-PP.PPD/PSD.MPT.PPM 0,09 4.862 0 0 2
PNR 0,09 4.740 0 0 0
PDR.JPP 0,07 3.645 0 0 0
MPT 0,07 3.372 0 0 0
PPD/PSD.NC 0,06 2.948 0 0 2
PDR 0,05 2.799 0 0 0
CDS-PP.NC 0,05 2.547 0 0 0
CDS-PP.PPD/PSD 0,04 2.292 0 0 2
MPT.PPV/CDC 0,04 2.258 0 0 0
PPD/PSD.MPT.PPM 0,04 1.958 0 0 2
CDS-PP.MPT 0,03 1.568 0 0 0
PPM.PURP 0,03 1.330 0 0 0
L 0,02 1.008 0 0 0
MAS 0,02 943 0 0 0
PURP 0,01 758 0 0 0
CDS-PP.NC.PPM 0,01 661 0 0 0
PPV/CDC.PPM 0,01 470 0 0 0
PPM 0,01 364 0 0 0
PPV/CDC 0,00 186 0 0 0
CDS-PP.PPD/PDS.PPM 0,00 146 0 0 0
Totais 95,44 4.937.665 308 274 2.074
 
EM BRANCO 2,63 135.805      
NULOS 1,93 99.716    

 

O 'roubo' à CDU

O PS garantiu a manutenção das presidências da Câmara de Lisboa, da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) e da Associação Nacional de Freguesias - as principais metas eleitorais dos socialistas.

O secretário-geral socialista e primeiro-ministro considerou, no final da noite eleitoral, que os resultados "reforçam" a "mudança" iniciada pelo Governo há dois anos e quis poupar a esquerda no seu discurso, sem nomear as câmaras que a CDU perdeu para o PS.

A vitória do PS não é a derrota de nenhum dos seus parceiros parlamentares. Há quatro anos ficámos 3,5 pontos percentuais acima do conjunto da direita, mas agora estamos pelo menos dez pontos percentuais à frente da direita."

Por razões táticas, e numa altura em que o Orçamento do Estado está a ser negociado entre o Governo socialista com o PCP, Bloco de Esquerda e "Os Verdes", a direção do PS apontou então exclusivamente o PSD como "o grande derrotado" da noite eleitoral. Fez, por isso, questão de sublinhar triunfos em bastiões "laranja" como Mirandela, São João da Madeira, Chaves, Ansião, Pedrógão Grande ou Felgueiras.

No entanto, a progressão do PS face a 2013 foi também feita à custa de autarquias tradicionalmente dominadas pela CDU, sendo o caso mais relevante o de Almada. O PS ganhou ainda as câmaras da CDU do Barreiro, Alcochete, Beja, Moura, Constância, Barrancos, Castro Verde e Alandroal.

Por outro lado, na área Metropolitana de Lisboa, o PS voltou a vencer por larga margem na capital, ampliou a sua vitória em Sintra e manteve Odivelas e Vila Franca de Xira, dois municípios cuja manutenção do poder esteve em dúvida.

Ainda em relação aos principais centros urbanos do país, os socialistas conseguiram conservar a Câmara de Coimbra, que foi uma aposta forte da coligação PSD/CDS, e obtiveram um segundo lugar com um resultado na ordem dos 29% no Porto, onde há uns meses muitos observadores políticos antecipavam um desastre eleitoral.

Perdas do PS

Em relação às poucas perdas registadas pelos socialistas nestas eleições, António Costa fez referências implícitas aos casos de Vizela, Vila do Conde e Celorico da Beira, atribuindo-as sobretudo ao aparecimento de listas independentes chefiadas por ex-autarcas do PS.

"Muitos dos que nos venceram foram anteriores autarcas do PS que internamente não foram escolhidos para serem nossos candidatos. Nesses casos os eleitores sobrepuseram-se à nossa própria avaliação", reconheceu o líder socialista.