O CDS-PP desafiou esta quinta-feira a oposição a ter «sentido de responsabilidade», pedir desculpa e reconhecer que o desemprego continua a descer consecutivamente, sublinhando o «trabalho extraordinário» de empresários e trabalhadores.

«Acho que a oposição tem aqui uma oportunidade para revelar sentido de responsabilidade e dizer ‘afinal, enganámo-nos, afinal ainda bem que o desemprego não aumentou e continua consecutivamente a descer' e, sobretudo, sublinhar o trabalho extraordinário dos nossos empresários e dos nossos trabalhadores», afirmou o líder parlamentar do CDS.

Nuno Magalhães, que falava aos jornalistas no parlamento, reagia à divulgação pelo Instituo Nacional de Estatística (INE) de que a taxa de desemprego estimada para dezembro em Portugal é de 13,4%, menos 0,1 pontos percentuais do que o estimado para novembro.

«O INE também revê previsões que fez em relação a outubro e a novembro, no sentido de haver um decréscimo e não um aumento de desemprego. Sempre que há uma diminuição de desemprego deve ser objeto de simpatia e felicitações por parte de todos, maioria e oposição», declarou.

«O que nós vimos na altura quando estes números, hoje corrigidos, saíram, foi, estranhamente, uma satisfação da parte da oposição. Hoje que vimos que afinal estavam enganados, que afinal o desemprego não aumentou mas desceu, acho que era uma boa oportunidade para a oposição pedir desculpa, não ao Governo, não à maioria, mas aos trabalhadores, aos empresários», acrescentou.

Nuno Magalhães sublinhou, contudo, que apesar de os centristas se congratularem com a descida do desemprego, ao arrepio de outros países europeus, o número de pessoas sem trabalho continua demasiado alto.

Segundo o INE, a população desempregada ajustada de sazonalidade foi estimada em 689,6 mil pessoas em dezembro, o que representa uma diminuição de 0,7% face a novembro de 2014 (menos 4,8 mil).

Quanto à taxa de desemprego dos jovens, que se situou em 34,5%, tendo aumentado 1,1 pontos percentuais face a novembro, o ministro considerou que este «é um dos grandes dramas», mas ainda assim destacou que houve uma melhoria em termos homólogos.

PSP desvaloriza «variações sem significado»

O PCP desvalorizou «variações sem significado» na taxa de desemprego divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) face a uma «insuportável dimensão« daquele problema social e sua «dramática expressão nas condições de vida» dos portugueses.

«Independentemente das variações sem significado, que se têm registado nos últimos meses, o que estes números revelam é a insuportável dimensão do desemprego e a dramática expressão nas condições de vida de centenas de milhares de portugueses, inseparáveis de uma política que tem conduzido o país ao declínio económico e ao retrocesso social», lê-se em comunicado.

Os comunistas alertam que «estas estimativas confirmam, entretanto, que o abrandamento da atividade económica no último trimestre do ano levou a que a taxa de desemprego corrigida e não corrigida de sazonalidade tenha subido comparativamente com o terceiro trimestre», apontando para «cerca de 15 mil postos de trabalho» destruídos.

«Os dados agora divulgados não permitem calcular a taxa de desemprego real já que não é dada qualquer informação sobre a evolução do subemprego e dos inativos disponíveis, para lá da não contabilização das centenas de milhares de portugueses que foram forçados a emigrar nos últimos anos», lamenta ainda o PCP.

Segundo o INE, a taxa de desemprego (dos 15 aos 74 anos) estimada para dezembro em Portugal é de 13,4%, menos 0,1 pontos percentuais do que o estimado para novembro, e a população empregada, também ajustada de sazonalidade, foi estimada em 4.441,5 mil pessoas, aumentando 0,1% (mais 6,4 mil) face ao mês anterior.