O PCP aprova este sábado uma resolução política rejeitando a «crescente submissão» face a instrumentos da União Europeia, designadamente o euro, tema em que o dirigente Agostinho Lopes defendeu a preparação para a saída da moeda única.

De acordo com o projeto de resolução em discussão no Encontro Nacional do PCP, que decorre em Loures, os comunistas defendem que se deverão apresentar perante os portugueses «como o partido da soberania e da independência nacionais».

«Um partido que denuncia e enfrenta os condicionamentos e constrangimentos externos que aprofundam a política de exploração e empobrecimento, que rejeita a crescente submissão de Portugal à União Europeia e aos seus principais instrumentos - do euro ao Tratado Orçamental - que PSD, PS e CDS se propõem perpetuar», refere-se no documento, que será alvo de votação ao final da tarde de hoje.

Sobre este tema da integração europeia, o ex-deputado e membro do Comité Central do PCP Agostinho Lopes fez uma intervenção em que sustentou que Portugal «precisa de romper com as dependências externas, recuperar um desenvolvimento soberano e reduzir défices estruturais».

«O que exige a rutura com a integração capitalista europeia, com a submissão aos interesses do imperialismo. O que coloca na ordem do dia vencer três constrangimentos maiores: as imposições da União Económica e Monetária (UEM) e do euro, pelo desmantelamento da UEM e a preparação para a saída do euro», disse.

Tal como outros dirigentes comunistas, também Agostinho Lopes defendeu «a libertação do fardo da dívida pela sua renegociação», a eliminação de condicionamentos colocados a empresas e o controlo público de setores estratégicos como a banca e a energia.

Na resolução que hoje deverá ser aprovada, o PCP declara ter como objetivo uma «convergência democrática» para uma «política patriótica de esquerda» e afirma-se «disponível para o diálogo e ação no quadro do respeito mútuo e sem pretensões de hegemonia».

«O PCP, partido necessário, indispensável e insubstituível, está pronto para assumir todas as responsabilidades que o povo português decida atribuir-lhe na construção de uma alternativa patriótica e de esquerda, e no Governo do país para concretizar uma nova política ao serviço dos trabalhadores e do povo», lê-se na resolução.