Se dúvidas restassem, depois do bruaá que suscitou a saída do secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, o Governo veio esclarecer que Amândio Torres saiu porque quis. Colocando um ponto final à especulação de que a sua saída estaria relacionada com o desfecho trágico dos incêndios na zona de Pedrogão Grande.

Em comunicado, o gabinete do ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoula do Santos, esclarece que “a cessação de funções do senhor secretário de Estado decorreu do pedido do próprio, por motivos pessoais”.

Um comunicado que surge “face às notícias publicadas sobre as circunstâncias da demissão do Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural”.

E acrescenta que o Ministro “manifesta o seu agradecimento ao engº Amândio Torres e à sua equipa pelo excelente e exigente trabalho realizado no âmbito da Reforma da Floresta, da qual uma parte substancial está já em vigor, aguardando-se que a Assembleia da República aprove muito em breve os diplomas que ainda aguardam decisão parlamentar”.

As oito remodelações que ontem foram conhecidas apanharam inclusive secretários de Estado de surpresa. Foi o caso de Margarida Marques, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus que garante que, ao contrário do que circulou nos media, não manifestou intenção de sair.

"Não pedi para sair. Compete ao senhor primeiro-ministro escolher o Governo e o senhor primeiro-ministro entendeu que eu já não era necessária no Governo", disse à Lusa, acrescentando que tem uma "relação de grande cordialidade" com o ministro dos Negócios Estrangeiros e com o primeiro-ministro.

Questionada sobre quem a informou do seu afastamento, Margarida Marques referiu que foi o ministro dos Negócios Estrangeiros, mas escusou-se a comentar se esta comunicação ocorreu antes, ou depois, de ter sido pública a iminência de uma remodelação governamental, após a exoneração, no domingo, de três secretários de Estado envolvidos no caso das viagens pagas pela Galp para assistir a jogos do campeonato europeu de futebol.

A responsável da pasta dos Assuntos Europeus afastou ainda qualquer ligação entre a sua saída e a questão dos atrasos na transposição para a legislação nacional das diretivas comunitárias, uma crítica com que o PSD confrontava frequentemente os membros do Governo em audições parlamentares.

Santos Silva, o ministro, escusou-se a comentar as remodelações, afirmando apenas não ter "nada a dizer".

O chefe de Estado nomeou ontem, por proposta do primeiro-ministro, oito novos secretários de Estado que vão tomar posse esta sexta-feira às 19:30, no Palácio de Belém.

Na maior mudança na composição do XXI Governo Constitucional desde a posse, que ocorreu em 26 de novembro de 2015, são alterados os titulares de sete secretarias de Estado de cinco ministérios e é ainda criada uma nova secretaria de Estado da Habitação, que será assumida pela arquiteta Ana Pinho.

São os seguintes os novos secretários de Estado:

Ana Paula Zacarias Assuntos Europeus
Eurico Brilhante Dias Internacionalização
Tiago Antunes Presidência do Conselho de Ministros
Maria de Fátima Fonseca Administração e Emprego Público
António Mendonça Mendes Assuntos Fiscais
Ana Teresa Lehmann Indústria
Miguel João de Freitas Florestas e Desenvolvimento Rural
Ana Pinho Habitação