O coordenador do BE João Semedo considerou esta terça-feira que as «caras novas num Governo velho» não vão alterar o sentido da política de austeridade e criticou a nomeação de Rui Machete como ministro.

«Hoje é o dia em que a operação de salvação do governo terminou. Algumas caras novas num governo velho, perdido desgastado e em declínio, não alteram o sentido da política que vai continuar a ser praticada, a mesma política de austeridade e recessão e que irá objetivamente provocar os mesmos resultados», afirmou João Semedo.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador político do Bloco de Esquerda criticou em particular a nomeação de Rui Machete como ministro, que irá assumir a pasta dos Negócios Estrangeiros.

João Semedo afirmou que as responsabilidades que assumiu como presidente do conselho superior do grupo BPN/SLN e «portanto a sua proximidade ao grupo não aconselharia nem recomendaria a sua indigitação para um cargo de tanta responsabilidade».

«Num momento em que as fraudes do BPN e SLN pesam tanto das contas públicas e no bolso de cada contribuinte, julgo tratar-se de uma escolha de muito mau gosto», afirmou João Semedo.

O deputado acrescentou que a nomeação «significa que o primeiro-ministro e o Presidente da República olham de uma forma arrogante e ao mesmo tempo displicente para os sacrifícios que os portugueses fazem também por culpa do que se passou no BPN/SLN».

O Presidente da República aceitou hoje a proposta do primeiro-ministro de nomeação de Paulo Portas para vice-primeiro-ministro e exoneração de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, disse à Lusa fonte do gabinete do chefe do executivo.

Rui Machete, António Pires de Lima e Jorge Moreira da Silva vão ser os novos ministros de Estado e dos Negócios Estrangeiros, da Economia, e do Ambiente, respetivamente, adiantou a mesma fonte.

Estas nomeações propostas pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, foram hoje aceites pelo Presidente da República, estando esta informação divulgada na página da Presidência da República na Internet.

Já o ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, vai ser responsável pelo Emprego, até agora integrado no Ministério da Economia, enquanto a ministra Assunção Cristas perderá a tutela do Ambiente e do Ordenamento do Território

As mudanças referidas implicam, formalmente, a exoneração de Pedro Mota Soares e de Assunção Cristas dos atuais cargos e a subsequente tomada de posse como ministros da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, e da Agricultura e do Mar, respetivamente.

Os novos membros do executivo PSD/CDS-PP tomam posse na quarta-feira, às 17:00, no Palácio de Belém.