
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, rejeitou este domingo que o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares tenha «atacado a imprensa» na resposta ao jornal «Público» e defendeu que «o Governo tem privilegiado muita transparência».
De acordo com a Lusa, em Chicago, Estados Unidos, à margem da Cimeira da NATO, Passos Coelho escusou-se a responder se Relvas tem condições para continuar no Governo, rejeitando falar sobre «questões de política interna» no estrangeiro.
O primeiro-ministro rejeitou, contudo, ter havido um ataque à imprensa por parte do ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares.
«Não há nenhum ataque a coisa nenhuma. Se há coisa que o governo tem privilegiado é muita transparência nesse aspeto», disse o primeiro-ministro, escusando-se a responder a mais questões sobre o assunto.
O conselho de redação do «Público» afirmou na sexta-feira que Miguel Relvas, ameaçou queixar-se ao regulador do setor, promover um «blackout» de todos os ministros ao jornal diário e divulgar, na Internet, dados da vida privada de uma jornalista, se fosse publicada uma notícia sobre o caso das secretas.
A notícia, da autoria de Maria José Oliveira, pretendia evidenciar «as incongruências» das declarações do ministro, na terça-feira, no Parlamento, sobre o caso das secretas, mas acabou por não ser publicada.
Numa nota posterior, a direção do jornal justificou a não publicação alegando não existir «matéria publicável», e garantia ainda que tinha tomado a decisão antes de conhecer as ameaças do ministro.
Mais tarde, o «Público» noticiou que Miguel Relvas pedira, nesse dia, desculpa ao jornal, depois de a direção ter feito um protesto por «uma pressão» do governante sobre a jornalista que acompanha o caso das secretas.
O pedido de desculpas noticiado pelo jornal verificou-se no mesmo dia em que o gabinete de Miguel Relvas refutou a denúncia do conselho de redação do «Público».
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) anunciou que vai iniciar averiguações ao caso no início da próxima semana, revelando que recebeu «uma série de documentos» sobre o caso, enviados «por iniciativa própria» pelo ministro.
O PS anunciou que vai pedir a presença de Miguel Relvas no Parlamento para esclarecer o caso, enquanto os Verdes querem ouvir também a equipa do jornal.
O PCP considerou que, caso se confirmem as «alegadas pressões», Miguel Relvas «não tem condições para continuar a ser membro do Governo». Já o Bloco de Esquerda exigiu a clarificação do caso, sublinhando que não pode existir «opacidade» em relação à liberdade de imprensa.
Por seu lado, o PSD considerou que os media «não se deveriam colocar no papel da oposição ao Governo».
Para o Sindicato dos Jornalistas, a confirmarem-se as ameaças e pressões imputadas ao ministro, este «deixaria de ter condições para se manter no Governo».