Por: tvi24 / PP | 25- 1- 2010 8: 52
Os promotores da romagem à campa dos homens que mataram o rei Dom Carlos voltam a homenagear os regicidas no próximo domingo,
este ano com fortes críticas ao programa do centenário da República por excluírem o regicídio das comemorações, escreve a
Lusa.
«Basta ver as comemorações oficiais: da Presidência da República ao primeiro-Ministro, passando pelos municípios
a nível nacional, apenas Castro Verde inclui o regicídio nas comemorações alusivas ao centenário da implantação da República»,
disse à Agência Lusa o presidente da Associação Promotora do Livre Pensamento (APLP), Luís Vaz.
É esta associação
que, pelo terceiro ano consecutivo, promove uma romagem às campas de Manuel dos Reis Buíça e Alfredo Luís Costa, os homens
que, a 1 de Fevereiro de 1908, mataram o rei Dom Carlos e o príncipe Luís Filipe.
A romagem realizar-se-á um dia
antes da efeméride, a 31 de Janeiro, altura em que «todos os actores dos factos ocorridos se encontravam vivos e aptos a modificarem
as suas opções».
«Não deixo de reconhecer que a morte é sempre passível de ser condenada, por isso comemoramos o
acontecimento no dia 31 de Janeiro, porque festejamos a vida e não a morte. Deixamos a morte para ser comemorada por aquelas
instituições que acreditam no transcendente. Nós, não», disse Luís Vaz.
O historiador, autor de várias obras sobre
o regicídio, algumas das quais atribuem a autoria deste acontecimento à Associação do Registo Civil e Livre Pensamento (ARCLP),
da qual Manuel dos Reis Buíça e Alfredo Luís Costa eram sócios, recusa qualquer provocação.
Vício histórico
Para
Luís Vaz, é «um vício histórico» não reconhecer o regicídio como um «acontecimento» que é «parte integrante do derrube da
monarquia».
«O regicídio tem de ser lido e visto no contexto histórico», disse, reclamando para Manuel dos Reis Buíça
e Alfredo Luís Costa a autoria de «um acto que tinha a cobertura de uma instituição de anarquistas intervencionistas e que
apareceram como alternativa ao golpe de estado falhado que ia destituir o ditador João Franco».
«A lógica é esta:
Abatendo-se o rei e o João Franco, abatia-se o próprio sistema totalitário, o regime de ditadura», adiantou.
Para
o historiador, esta é uma lógica histórica, não interpretada da mesma forma por outros sectores da sociedade, dos quais fazem
parte «estruturas clássicas e tradicionais na sociedade portuguesa, que se mantêm poderosas».
«Continuaria a haver
uma monarquia constitucional»
O historiador não tem dúvidas de que, «se não houvesse regicídio, continuaria a
haver uma monarquia constitucional». A legitimidade do parlamento «iria voltar, mas a República só tardiamente se implantaria».
Por
esta razão, não entende como o regicídio não faz parte das comemorações do centenário da República, interpretando o distanciamento
de algumas organizações, como o Grande Oriente Lusitano (GOL), com a busca pela consensualidade.
«Fazendo o GOL parte
das programações oficiais do Centenário da República e estando nelas inseridas outras estruturas, também representativas da
mentalidade portuguesa, que não aceitam o regicídio como parte integrante da história e como uma etapa que levou ao fim da
monarquia, porventura faz a gestão desta clivagem através da consensualidade e aceita a exclusão».
A abertura oficial
das comemorações do Centenário está marcada para 31 de Janeiro, no Porto, e conta com a presença do Presidente da República,
Aníbal Cavaco Silva, havendo já actividades no dia anterior, 30 de Janeiro.
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